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As Repúblicas de Estudantes de Coimbra resistem ao despejo no início do ano letivo. Enquanto se mantém o conflito com a Universidade de Coimbra, esta mantém a exposição A Casa dos Estudantes do Império de Coimbra, até 18 de outubro.
Apesar de o conflito entre a Universidade de Coimbra e as repúblicas Baco e Marias do Loureiro se intensificar a partir de julho, o litígio começou em 2025, quando a instituição notificou os estudantes para abandonarem o edifício devido a alegados riscos estruturais. Os moradores recusaram assinar o acordo de saída, denunciando a falta de transparência, a ausência de relatórios técnicos acessíveis, de prazos para obras e de garantias de realojamento definitivo.
As repúblicas de Baco – com mais de 90 anos de história – e as Marias do Loureiro – de orientação transfeminista — rejeitam a atuação da universidade e acusam-na de assédio imobiliário, trocando o diálogo institucional pela via judicial e de pressão para a desocupação.
Além disso, denunciam a criação artificial de incumprimento, apontando que, desde finais de 2025, a universidade começou deliberadamente a recusar o pagamento de rendas e a reter faturas de água e eletricidade para forçar a quebra contratual.
Para além de argumentos técnicos e jurídicos, o movimento sublinha a função social e cultural do modelo republicano na preservação do património comunitário e de uma habitação acessível face à gentrificação. Este conflito é diretamente articulado com a crise de alojamento estudantil, exigindo-se o fim das vias judiciais e o regresso a uma mesa de negociação transparente com a Reitoria e o Ministério.
Por sua parte, a Universidade de Coimbra sustenta que a prioridade absoluta é garantir a segurança física dos residentes face à degradação do edifício, justificando que só recorreu aos procedimentos legais de denúncia do contrato após a recusa sistemática das moradoras em aceitar as propostas de saída temporária.
Enquanto isto, a exposição “Meridianos do Futuro – A Casa dos Estudantes do Império de Coimbra (1945-1965)” foi inaugurada em 28 de março e pode ainda ser visitada até ao 18 de outubro no Convento São Francisco. Com curadoria dos historiadores Helena Wakim Moreno e Miguel Cardina, a exposição coorganizada entre o Município de Coimbra e o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra .
A iniciativa dá a conhecer o papel histórico da Casa dos Estudantes do Império, reunindo documentos, fotografias e material de imprensa provenientes da Torre do Tombo, a Associação Tchiweka de Documentação, o Centro de Documentação 25 de Abril e o Museu Académico da Universidade de Coimbra. O espólio é complementado por registos audiovisuais, filmes e testemunhos orais que analisam a vertente política e cultural da Casa entre 1945 e 1965.
Ao longo de duas décadas, a delegação de Coimbra acolheu dezenas de estudantes vindos das antigas colónias, muitos deles decisivos na afirmação de identidades africanas, na produção cultural e no ativismo político que culminou nas independências.
A mostra ilumina também a relação da Casa com o tecido urbano da cidade, a vigilância exercida pela PIDE e o impacto na politização do meio académico.
Fotografia: Rádio Universidade de Coimbra


