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Sob o lema «Pelo avanço da ética», a plataforma Touradas Fora de Ponte Vedra promoveu, no passado sábado, 8 de agosto, uma manifestação que percorreu as ruas do centro da cidade. A marcha voltou a reunir o protesto social contra a realização de corridas de touros, contando com o apoio da Irmandade Antiespecista Pelos Animais, o Santuário Vacaloura e o coletivo ERTA.
A mobilização ganha particular relevância pelo facto de Ponte Vedra acolher a única praça de touros com atividade na Galiza. No restante território galego, a atividade taurina é nula. Exemplo disso é a Corunha, onde o Coliseum acolheu feiras taurinas até 2015, ano em que o município retirou a concessão e o apoio financeiro, reorientando o recinto para concertos, eventos desportivos e espetáculos culturais.
A dinâmica abolicionista na Galiza sustenta-se numa notável diversidade do ativismo. O movimento antitaurino galego caracteriza-se por uma aliança heterogénea que combina o ecologismo social, a proteção animal e o movimento antiespecista. Esta aliança inclui também setores culturais e políticos do nacionalismo e da esquerda galega, que associam a tauromaquia a um elemento cultural alheio à tradição própria.
A escassa adesão à atividade taurina na Galiza reflete-se nos dados oficiais: a assistência anual a espetáculos taurinos situa-se abaixo de 1% da população. Apesar de a Lei de Proteção Animal da Galiza excluir a tauromaquia do seu âmbito de aplicação, permitindo a continuidade dos eventos, a oposição institucional tem crescido.
Promovida por entidades como a Associação Animalista Libera, a Fondation Franz Weber e a plataforma Galiza, Melhor Sem Touradas, a Rede de Municípios Galegos pela Abolição articulou esta estratégia institucional. Desta forma, levou aos plenos de mais de 20 concelhos a aprovação de declarações oficiais de rejeição aos maus-tratos animais e ao financiamento público da atividade
A própria corporação municipal de Ponte Vedra aprovou, em julho de 2018, uma moção na qual se declarou «cidade livre de espetáculos taurinos». A resolução – aprovada com os votos a favor do Bloco Nacionalista Galego, do Partido Socialista e da Maré e o voto contra do Partido Popular – rejeitou o financiamento público e instou o Governo Galego e o Governo central a abolirem a atividade.
Contudo, as corridas continuam a realizar-se devido ao estatuto do recinto. A Praça é de propriedade privada desde meados dos anos 1970, pertencendo a uma dinastia empresarial taurina espanhola que gere a exploração do imóvel e a organização dos cartazes através do Grupo Lozano / Alcurrucén.
Fotografia: Redes sociais de Touradas fora de Ponte Vedra



