Banda Desenhada une Beja e Ponte Vedra em junho

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Redação |

A Banda Desenhada vai marcar o ritmo cultural do mês de junho em Beja e Ponte Vedra. A cidade alentejana recebe a 21ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, ao mesmo tempo que Ponte Vedra acolhe a 4ª edição da BDra Gráfica.

As propostas de ambos os certames, extravasam as exposições e os livros, e afirmam-se como espaços de debate, formação e fusão artística, consolidando o seu papel no panorama atlântico da nona arte.

O Festival de Beja decorre na Casa da Cultura, de 5 a 21 de junho, apostando em conversas com autores, lançamentos e nos seus concertos desenhados. O consagrado Mercado do Livro contará com cerca de 60 editores, trazendo como grande novidade o “Interstícios“, um espaço dedicado à edição alternativa.

Reciprocamente, a BDra Gráfica instala-se na Praça da Ferraria, de 25 a 28 de junho. O evento destaca uma grande carpa de 30 metros dedicada a livrarias e editoriais especializadas, além de incluir projeções de cinema, conferências e jornadas profissionais.

O Festival de Beja apresenta um roteiro de exposições de cariz multicultural. Entre os destaques individuais encontram-se Thomas Ott e Simone Baumann (Suíça), Benjamin Bachelier (França), Philippe Girard (Canadá), Luckas Iohanathan (Brasil) e os portugueses Beatriz Brajal, Diniz Conefrey e Pedro Cleto.

O certame aposta ainda em mostras coletivas de grande escala, como a espanhola “Aventureras Gráficas” — que junta nomes como Ana Penyas e Laura Pérez —, a exposição internacional dedicada ao mito de “Drácula” (com forte presença de autores romenos), e as mostras “H-Alt” e “Portugal em Bruxelas”, que sublinham a vitalidade e a projeção da edição independente e dos autores portugueses no estrangeiro.

Simultaneamente, o grande destaque da BDra Gráfica vai para Júlio Das Pastoras, distinguido com o Prémio BDra GRÁFICA 2026 pelo conjunto da sua carreira. O público poderá ainda descobrir a obra do catalão Josep Homs, os trabalhos de Kim (Prémio Nacional de Cómic em 2010) e a aclamada obra “A Vida Toda”, assinada por Ángel de la Calle, Sempere e Ruiz. O cartaz completa-se com a exposição “A Balada de Hugo Pratt” e uma homenagem a Marjane Satrapi, protagonizada pelos alunos do Curso Profissional de Banda Desenhada da escola O Garaxe Hermético.

Contudo, o objetivo de ambos os certames vai muito além das exposições. A BDra Gráfica assume uma vertente pedagógica e mediática. O programa estende-se com jornadas profissionais e masterclasses, além de uma emissão especial de rádio em direto a partir do próprio recinto do festival. A isto somam-se projeções cinematográficas, que descentralizam a experiência cultural e levam o cinema a vários espaços da cidade.

Por sua vez, o Festival de Beja encerra a sua programação com um forte pilar comunitário e performativo. Na Casa da Cultura, as atenções dividem-se entre Concertos Desenhados, os lançamentos editoriais e as apresentações de novas revistas e fanzines. O evento privilegia ainda a proximidade e o debate informal através da rubrica “Dois Dedos de Conversa”.

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