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Monochroa monellii é o nome de uma nova espécie de micro-borboleta descoberta por Jorge Rosete, um lepidopterólogo amador que concilia a paixão pela ecologia com a sua carreira de professor do ensino secundário. A borboleta foi encontrada de forma inesperada na berma de uma estrada no concelho de Pombal e a descrição oficial da espécie foi publicada a 20 de novembro de 2025 na revista científica Nota Lepidopterologica.
O momento da descoberta ocorreu a 29 de julho de 2020, durante uma sessão de monitorização de borboletas noturnas. Rosete utilizava a técnica de armadilhagem luminosa noturna – um método para atrair e estudar insetos noturnos – junto à Lagoa de São José, no concelho de Pombal, na margem de um estradão florestal que atravessa a Mata Nacional do Urso.
A confirmação definitiva da nova espécie exigiu cinco anos de trabalho rigoroso e multidisciplinar. Os investigadores combinaram duas metodologias essenciais: o exame da genitália de machos e fêmeas, apoiado na utilização de técnicas de determinação genética para validar o carácter biológico único da espécie.
Nas palavras de Jorge Rosete, a Monochroa monellii é uma “micro-borboleta de coloração escura e pouco vistosa e de hábitos discretos” e apresenta uma envergadura de asa que varia entre os oito e os dez milímetros. O descobridor acrescenta que “Por ser uma espécie de hábitos noturnos durante o dia, tenderá a abrigar-se de forma dissimulada sob a vegetação rasteira e quando perturbada valer-se-á do seu tamanho para se voltar a ocultar”
Os investigadores envolvidos na descrição da nova micro-borboleta concluíram que a espécie possui uma especializada relação com uma planta hospedeira específica: a evidência aponta para o morrião-das-areias (Anagallis monelli), uma planta pertencente à família das Primuláceas. O nome científico da nova espécie é uma homenagem direta e uma referência explícita à sua planta hospedeira.
Os autores do estudo consideram que a Monochroa monellii tem um estatuto de conservação de não ameaçada. Esta avaliação baseia-se na crença de que a espécie possui uma distribuição potencial bem mais ampla do que o local da descoberta sugere. Este potencial de dispersão estender-se-ia por áreas do sudoeste da Europa, acompanhando a distribuição geográfica da sua planta hospedeira.

