Lagostim Vermelho do Pântano

Biodiversidade em risco: alóctones contam-se aos milhares

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Redação |

De acordo com um estudo publicado pela revista científica sobre biogeografia da conservação Diversity and Distributions, os investigadores compilaram um conjunto de 1273 espécies não nativas estabelecidas na Península Ibérica, sendo que, a maioria, são plantas vasculares e insetos.

Estas invasões biológicas, consequência da globalização, têm altos impactos ecológicos e socioeconómicos na biodiversidade e nos ecossistemas. Porém, até à data e, apesar da crescente disponibilidade e acessibilidade dos dados, não tinha sido realizada uma avaliação abrangente.

Os resultados da investigação indicam uma alta incidência relacionada com plantas introduzidas para fins ornamentais e hortícolas, espécies de animais de estimação, aquários e terrários, bem como animais de criação.

Outras vias de introdução comuns procedem de fugas de instalações humanas e mecanismos relacionados ao transporte internacional de mercadorias, com frequência contaminantes e clandestinos, que são usadas por insetos, crustáceos e outras espécies de invertebrados. Outras atividades humanas como o turismo e o movimento de mercadorias militares também estão na origem das invasões.

As espécies são na sua maioria nativas de outras regiões do Paleártico (Europa, Norte de África, grande parte da Arábia e a Ásia a norte do Himalaia), seguidas pelo Neártico (América do Norte e o Ártico) e a região Neotropical (sul do México, Baixa Califórnia, sul da Flórida, ilhas do Caribe e a América do Sul). Os grupos taxonómicos com mais espécies foram plantas vasculares (727), por exemplo, o capim-dos-pampas, seguidos por insetos (228), por exemplo, o mosquito tigre asiático, crustáceos (58), por exemplo, o lagostim vermelho do pântano, ‘outros invertebrados’ (55) e moluscos (46), por exemplo, o mexilhão-zebra.

Áreas com alta densidade populacional humana e zonas costeiras registam o maior número de espécies não nativas estabelecidas. Esse padrão está intimamente ligado ao comércio, o transporte e a urbanização, juntamente com mudanças no uso da terra e desenvolvimentos de infraestruturas.

As conclusões da investigação reconhecem que, dado o aumento contínuo de introduções e o papel das vias não intencionais conduzidas pelo homem, o fortalecimento das medidas de prevenção é vital para reduzir futuras invasões e que, são cruciais esforços eficazes de manejo para conter a disseminação e mitigar os impactos.