Redação |
A maioria absoluta do Partido Popular no Senado espanhol deu luz verde a uma proposta de lei para revogar a possibilidade de as seleções desportivas autonómicas participarem em competições internacionais oficiais em «modalidades ou especialidades com raízes históricas e sociais» no seu território ou se a federação autonómica fizesse parte de uma federação internacional «antes da constituição da federação espanhola».
A iniciativa teve 141 votos a favor (Partido Popular e Unión del Pueblo Navarro), 111 votos contra (Partido Socialista Obrero Español, Euskal Herria Bildu, Partido Nacionalista Vasco, Esquerra Republicana de Catalunya, Agrupación Herreña Independiente, Geroa Bai, Más Madrid, Bloco Nacionalista Galego e Compromis pel País Valencià) e 6 abstenções (Vox, Coalición Canaria y Agrupación Socialista Gomera).
A proposta de lei será remetida ao Congreso de los Diputados, onde o PSOE e o Sumar têm maioria na Mesa da Câmara e poderão impedir que prospere. Já no Congresso, o PP também não teria os votos necessários para a iniciativa vir a ser aprovada, como ficou comprovado em outubro de 2024, quando a mesma iniciativa foi rejeitada.
A janela de oportunidade para as seleções desportivas autonómicas participarem em competições internacionais oficiais abriu-se com a Lei do Desporto de 2022, que já possibilitou em dezembro de 2024, que a Federação Internacional de Pelota Basca reconhecesse oficialmente a seleção do País Basco. Como consequência deste reconhecimento, a seleção vasca já se enfrentou a Espanha em junho passado na Liga das Nações de Jai Alai ou cesta-punta (“ponta da cesta”) , no que foi o primeiro duelo numa competição desportiva oficial entre um território que faz parte do estado espanhol e a própria seleção espanhola.
Na Galiza, a pesar de a estreia da seleção de futebol ter-se produzido em 19 de novembro de 1922, no campo de Coia, em Vigo, a reivindicação histórica para as seleções desportivas próprias poderem competir em eventos oficiais está longe de atingir a magnitude que tem na Catalunha ou no País Basco, onde é um tema de intenso debate e discórdia.
A participação de seleções nacionais de territórios sem independência política ou estatuto de nação soberana, tem exemplos notáveis na Europa como o País de Gales e a Escócia, que competem com as suas próprias equipas no futebol e no râguebi, apesar de fazerem parte do Reino Unido ou as Ilhas Faroé (território autónomo dinamarquês) ou Gibraltar (território britânico ultramarino) que também marcam presença regular em campeonatos europeus.
A nível global, a seleção de Hong Kong compete separadamente da China em diversas modalidades, Nova Caledónia e o Taiti (coletividades francesas no Pacífico) competem em torneios da Confederação de Futebol da Oceânia e as seleções das Ilhas Virgens Britânicas e das Ilhas Cayman de Futebol participam nas competições da Federação Internacional de Futebol – FIFA.
Para dar respostas a muitas demandas de participação em competições internacionais de outras realidades políticas, foi fundada em 2013 a Confederação das Associações Independentes de Futebol – CONIFA. Ela é composta por equipas que representam nações, dependências, estados não reconhecidos, minorias étnicas e linguísticas, povos sem estado, regiões e micronações não filiadas à FIFA.
Outras como a Samoa, Ilhas Cook, Guam, Kiribati, Ilhas Marshall, Micronésia, Nauru, Palau, Samoa, Ilhas Salomão, Tuvalu e Vanuatu, são reconhecidas pelo Comité Olímpico Internacional – COI, e competem nos Jogos Olímpicos embora não sejam nações soberanas.
A Palestina também participa nos Jogos Olímpicos desde 1996.



