O governo espanhol anunciou a solicitude para a incorporação dos governos da Catalunha e do País Basco mas o governo galego não parece estar interessado. A iniciativa permitiria obter reconhecimento internacional e voz direta em fóruns onde se decidem as políticas de proteção do património linguístico e cultural.
Redação |
A ideia não é apenas simbólica. A entrada na UNESCO facilitaria o acesso a financiamento para projetos de salvaguarda de tradições e a criação de redes de intercâmbio com outros territórios com línguas minorizadas. Mas não só, a entrada no organismo de Nações Unidas, implicaria o fortalecimento da diplomacia cultural, permitindo que a Galiza se projete no mundo como uma entidade cultural plenamente desenvolvida. Atualmente, a representação nestes organismos internacionais é feita exclusivamente através do estado espanhol. Contudo, a proposta dalgumas instituições galegas sugeria que a singularidade cultural galega exige mecanismos de participação mais específicos.
É o caso da Real Academia Galega (RAG) e do Conselho da Cultura Galega (CCG) que já manifestaram formalmente o desejo de que a Galiza integre a UNESCO aproveitando a agenda política espanhola e o atual interesse da Catalunha e do País Basco. Para estas instituições a entrada na UNESCO reforçaria a visibilidade das respetivas culturas num organismo que defende a diversidade cultural como um direito humano fundamental.
A proposta olha com atenção para modelos de representação subestatal que já funcionam noutras latitudes. Regiões com forte identidade cultural conseguem estabelecer acordos de colaboração técnica e consultiva com agências das Nações Unidas. É o caso das Ilhas Caimão (GB), Ilhas Feroe (DK), Macau (CN) ou Nova Caledónia (FR), que têm o estatuto de membros associados da UNESCO, ou de Flandres (NL), Hong Kong (CN) e Madeira, membros da Organização Mundial do Turismo.
Embora o apoio institucional técnico e cultural seja sólido, o caminho para a UNESCO depende de vontades políticas. O governo espanhol, a través do Primeiro Ministro, Pedro Sánchez, já anunciou a solicitude para a incorporação da Catalunha e do País Basco.
Entretanto, o Conselheiro da Presidência do governo galego, Diego Calvo Pouso, manifestou o desinteresse do governo galego nessa petição, apesar de a Galiza ter as mesmas competências estatutárias do que os outros solicitantes.
A proposta surge num momento em que a Galiza também celebra o reconhecimento interno das suas tradições. A recente declaração da música e dança tradicionais como Bem Cultural, espera ser capitalizada pelos promotores da iniciativa. Em opinião dos promotores, se concretizada, a entrada da Galiza na UNESCO poderia marcar um antes e um depois na forma como a cultura galega dialoga com o resto do mundo.

