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Em um posicionamento conjunto, 55 jornais brasileiros publicaram um manifesto em que alertam a sociedade para os riscos que a eventual eleição de Flávio Bolsonaro representam para a liberdade de imprensa, a independência das instituições e a estabilidade da democracia no país.
No documento, os meios enfatizam que o jornalismo brasileiro precisa adotar uma posição firme em defesa da democracia e contra o autoritarismo. O manifesto destaca o erro daqueles que acreditaram na ilusão de que o sistema político moderaria Jair Bolsonaro, sustentando que, na realidade, foi o bolsonarismo que radicalizou o status quo.
O texto elenca os sinais documentados de agressão à democracia ocorridos durante a gestão de Jair Bolsonaro, como ataques à credibilidade do sistema eleitoral, hostilidade ostensiva a jornalistas, uso político das forças armadas, tolerância a atos antidemocráticos e confrontos com o poder judiciário. Os jornais ressaltam que, embora as instituições tenham resistido graças aos mecanismos de contenção, a gravidade dessas investidas permaneceu inalterada.
Escalada da violência e oscilação nos indicadores
Para demonstrar a dimensão dos ataques, o manifesto cita dados da Federação Nacional dos Jornalistas, apontando a ocorrência de 1.442 casos de violência contra profissionais e meios entre 2019 e 2022 — uma média anual três vezes maior do que a registada no período de 2010 a 2018. Além disso, menciona o balanço da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, que registou 557 alertas de violações à liberdade de imprensa em 2022, dos quais 41,6% tiveram o envolvimento direto da família Bolsonaro.
O texto contrapõe a melhoria observada nos anos seguintes: os alertas da Abraji caíram para 330 em 2023 e para 204 em 2025. Paralelamente, o Brasil subiu da 110ª posição no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, da organização Repórteres sem Fronteiras, em 2022, para a 52ª colocação em 2026.
Defesa da informação como direito coletivo
Os meios signatários reforçam que a proteção do jornalismo garante o direito de toda a população de acessar informações plurais, verificáveis e confiáveis. O manifesto enfatiza o papel essencial da imprensa livre no combate à corrupção, na fiscalização dos abusos de poder e na denúncia de violações de direitos, destacando que os ataques sistemáticos ao setor comprometem diretamente a capacidade da sociedade de vigiar seus governantes.
Por fim, o manifesto faz um apelo para que o jornalismo brasileiro reflita sobre seu papel histórico, frisando que a liberdade de imprensa e a saúde das instituições são indissociáveis.
Signatários do relatório
Agência Diadorim, Agência Envolverde, Agência Mural, Agência Nossa, Agência Tatu, Amazônia Latitude, Ambiental Media, AzMina, Cansei de Ser Pop, Carta Amazônia, #Colabora – Jornalismo Sustentável, Conexão Planeta, Conquista Repórter, Correio Sabiá, De Olho nos Ruralistas, Eco Nordeste, Eficientes, Emerge Mag, Entre Becos, Escotilha, Eufêmea, Gênero e Número, InfoAmazonia, Kerovi, Jornal Espaço do Povo, Jornalistas&Cia, Juicy Santos, Le Monde Diplomatique Brasil, Mangue Jornalismo, Marco Zero, Matinal, Meus Sertões, Mídia Caeté, MigraMundo, Nonada, Nós, Mulheres da Periferia, Notícias da TV, Núcleo Jornalismo, Plural, Ponte Jornalismo, Portal BnT Online, Portal Catarinas, Portal dos Jornalistas, Portal Gerais, Porvir, Projeto Preserva, Psicodelicamente, O Joio e O Trigo, Outras Palavras, Revista Afirmativa, Revista Alagoana, Revista O Grito!, Sul21, SUMAÚMA, The Conversation Brasil.
Imagem: Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa – 2020, publicação da Federação Nacional dos Jornalistas


