Espanha vai a votos com protestos e apelos à greve geral

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Sindicato de Inquilinas veio sublinhar que a dissolução das cortes e a ida às urnas não resolvem a emergência habitacional

Redação |

A de 5 de outubro, uma jornada de intensa ebulição política marcou o passo em Espanha. Às 09:00 horas, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, oficializou a convocação de eleições antecipadas para o próximo dia 29 de novembro. Horas mais tarde, por volta das 19:30, produziu-se o anúncio de uma greve geral pela habitação por parte dos sindicatos CC.OO e UGT.

A decisão de antecipar as eleições terá surgido na sequência das manifestações que começaram no dia 23 de setembro que mobilizaram centenas de milhares de cidadãos em cerca de 50 cidades de todo o estado.

Os protestos escalaram após o Congresso dos Deputados em Madrid ter rejeitado propostas de moratórias aos despejos e restrições à compra de habitação por fundos de investimento especulativos com os votos contra do Partido Popular, a extrema direita, Junts per Catalunya e Unión del Pueblo Navarro.

Reagindo ao anúncio das eleições, o Sindicato de Inquilinas veio sublinhar que a dissolução das cortes e a ida às urnas não resolvem a emergência habitacional. Por essa razão, setores dos movimentos sociais reforçaram o apelo à greve geral como o instrumento para forçar compromissos reais do futuro governo.

Contudo, analistas e movimentos sociais alertaram que, embora as centrais sindicais apelam ao protesto, a convocatória da greve é encarada por muitos como um balão de oxigénio destinado a beneficiar o PSOE. A crítica sustenta-se na premissa de que a única forma potencial de reverter o desfavorável panorama eleitoral para as esquerdas exige sustentar e intensificar as mobilizações sociais.

As manifestações e acampamentos parecem ter obrigado os média e os atores políticos a debater a habitação, um terreno onde os socialistas costumavam sentir-se desconfortáveis. No entanto, se a campanha girar em torno deste problema estrutural, o cenário traçado pelas sondagens — que apontam para um futuro governo da direita e da extrema-direita após as eleições— poderia mudar.

Apesar de o anúncio da greve geral – convocada para o dia 11 de novembro pela Unión General de Trabajadores e pelas Comisiones Obreras no rescaldo da dissolução das Cortes – ocupar o centro mediático madrileno, a realidade estatal da convocatória da greve geral é mais complexa.

A UGT e as CC.OO. —respetivamente associadas à órbita do PSOE e à influência do PCE e da Izquierda Unida—destacam-se por privilegiar a concertação social e a negociação institucional, e apenas recorrem ao protesto geral quando a pressão política o torna inevitável. Esta centralidade de concertação e negociação institucional, colide com a realidade social na Galiza e no Pais Vasco e também com o anarcosindicalismo estatal.

Assim, o sindicato maioritário Confederação Intersindical Galega (CIG) —ligado ao Bloco—, apoiará a greve sob o lema “A suba dos preços que a pague o capital. Queremos viver dignamente”. Em concreto, a CIG exige aos governos galego e do estado um plano de choque com medidas que garantam a subida do salário mínimo até aos 1375€ ainda este ano, o direito à habitação, a intervenção pública nos setores estratégicos, uma maior proteção social e o reforço dos serviços públicos. Ainda na Galiza, a Central Unitária de Trabalhadores (CUT) também apoiará a greve sob o lema “Não é a habitação, é o sistema“

Uma dinâmica semelhante verifica-se no País Basco onde os sindicatos ELA (Eusko Langileen Alkartasuna) e LAB (Langile Abertzaleen Batzordeak) apostam num quadro basco próprio de relações laborais e anunciaram uma greve geral autónoma, também focada na crise da habitação e na defesa de salários dignos.

No resto do Estado, os anarquistas da Confederación General del Trabajo adotaram uma posição de convergência tática, apesar da desconfiança face à retórica institucional de CCOO e UGT. A organização sublinha que a contestação deve traduzir-se na redução do preço da habitação, a recuperação de habitações aos fundos abutre, a regulação dos arrendamentos de curto prazo, do arrendamento de quartos e dos contratos permanentes, a moratória aos despejos sem alternativa e a vinculação dos aumentos salariais ao IPC.


Fotografia: Redes sociais

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