Fabricante de robôs humanoides estreia na Bolsa de Xangai

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Redação |

A Unitree Robotics protagonizou uma estreia histórica no STAR Market de Xangai, onde as ações da fabricante de robôs humanoides chegaram a disparar 629,4%. Na primeira oferta pública do setor na China continental, a empresa conseguiu captar 6,1 mil milhões de yuan (cerca de 781 milhões de euros) com a colocação de 40,4 milhões de ações.

A alta teve início logo na abertura do Painel de Inovação Científica e Tecnológica da Bolsa de Valores de Xangai , com os títulos a saltarem para 1.100 yuan (140,9 €), superando o preço unitário inicial de 150,8 yuan (19,32 €). Com esta operação, a tecnológica sediada em Hangzhou posiciona-se globalmente logo atrás das norte-americanas 1X Technologies e Figure AI.

A administração da Unitree Robotics avançou que quase metade dos fundos angariados será canalizada para a investigação e desenvolvimento de modelos de IA aplicados à robótica, aprimoramento de corpos robóticos e construção de um centro inteligente de fabrico. Consolidando-se como líder mundial em vendas de robôs humanoides e quadrúpedes, a empresa reforça o estatuto estratégico da tecnologia avançada no ecossistema industrial chinês.

Na antecâmara da operação, a fabricante apresentou um novo robô humanóide, batizado com o nome de Super-Homem, capaz de saltar a uma altura de dois metros e de alcançar velocidades de 12,7 metros por segundo.

No entanto, os engenheiros e responsáveis da tecnológica mantêm uma postura de prudência quanto à imediata transposição destes resultados para o mercado de consumo e industrial. Embora o protótipo tenha sido desenvolvido num período recorde de pouco mais de três meses, a própria administração reconhece que o modelo ainda dispõe de margem de evolução.

Um dos principais entraves apontados prende-se com as extremidades mecânicas, uma vez que as mãos robóticas ainda carecem de destreza para o quotidiano. Devido a esta falta de precisão e durabilidade no manuseamento de objetos, a comercialização em larga escala foi adiada.

Em julho, Washington implementou uma proibição à importação de robôs humanoides fabricados no estrangeiro por imperativos de segurança nacional. Na prática, o veto restringe de forma direta a entrada de tecnologia estrangeira sensível, visando travar o avanço e a competitividade da automação asiática.
A medida impacta no setor tecnológico chinês, que encontrava nos EUA um mercado crucial para a sua produção em larga escala. Fabricantes líderes viram-se confrontados com barreiras comerciais protecionistas, forçando uma reorientação estratégica para o mercado interno, economias emergentes e o espaço euro-asiático.

Analistas apontam que esta restrição reflete a crescente rivalidade geopolítica em torno da IA e da robótica avançada. Ao blindar as suas fronteiras comerciais, a administração norte-americana tenta proteger a indústria nacional emergente. No entanto, corre o risco de isolar os seus próprios setores industriais face às inovações de ponta desenvolvidas no estrangeiro.


Fotografia : Bolsa de Xangai. Xinhuanet

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