Mértola inaugura escultura ao rei-poeta Al-Mu’tamid

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Redação |

O Largo das Portas de Mértola recebeu, no passado dia 13 de junho, a inauguração de uma escultura em homenagem a Al-Mu’tamid, o célebre rei e poeta nascido na cidade no ano de 1040.

A composição escultórica evoca a trajetória e os símbolos marcantes da vida de Al-Mu’tamid. A peça, da autoria do escultor Silvestre Raposo, integra representações como o castelo erguido sobre o rochedo, a lágrima da saudade e a chave da casa perdida. O monumento também retrata o jardim da infância, o coração ferido e a coroa deixada para trás, culminando na exaltação da permanência da palavra poética como o seu legado mais intemporal.

Este monumento junta-se a outros reconhecimentos da personagem na cidade como o memorial a Al-Mu’tamid em que é possível ler os seus poemas em árabe e português ou a rota cultural do Conselho da Europa1 que une Lisboa e Sevilha passando por Mértola. A Rota inicia-se em Lisboa, mesmo em frente ao Oceano Atlântico, e acaba em Sevilha, onde esta dinastia reinou de 1023 até ser conquistada pelos almorávidas em 1091.

O último rei de Sevilha

Memorial a Al-Mu’tamid no Parque da Cidade

Nascido em Beja em 1040, Al-Mu’tamid foi o último monarca da dinastia abádida a governar a Taifa de Sevilha no século XI acabando a sua vida exilado no norte de África. Além do seu papel político, a sua corte destacou-se pelo mecenato e por reunir grandes mestres da prosa e da poesia árabe. O próprio rei tornou-se um dos poetas mais marcantes de Al-Andalus, eternizado na história com o célebre título de rei-poeta. A sua tumba encontra-se na cidade de Agmat, uma antiga cidade bereber a 30 quilómetros de Marrakech.

Para quem deseja se aproximar da vida e da obra de Al-Mutamid, a editora Assírio & Alvim disponibiliza o livro Al-Mutamid, Poeta do Destino. Além da obra literária, a herança do rei poeta é celebrada atualmente pelo Festival de Música Al-Mutamid. O evento itinerante de música árabo-andalusina, nomeado em sua homenagem, já soma mais de 20 edições tendo sido realizado em Albufeira, Lagoa, Loulé, Olhão, Silves, Lagos, Tavira ou Santiago do Cacém.

Reivindicações peninsulares do rei-poeta

Al-Mu’tamid é também uma figura que tem suscitado o surgimento de mitos fundacionais e leituras nacionalistas. Um dos principais exemplos dessa abordagem surge na literatura do final do século XIX, mais especificamente na novela histórica Os Luso-Arabes: Scenas da vida mussulmana no nosso pais (1898), de António Maria de Oliveira Parreira. Já na Andaluzia, a obra Motamid. Último Rey de Sevilla (1920) foi utilizada para vincular a imagem do rei ao movimento andaluzista.


  1. A página oficial da rota pode ser visitada aqui ↩︎
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