Desde 2009, o dia 5 de maio foi instituído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa como o Dia Mundial da Língua Portuguesa. De lá para cá, a data é lembrada, sobretudo, por instituições públicas e por profissionais que atuam diretamente com o tema. Mas e a população brasileira em geral? Há, de fato, interesse pelo significado da data ou pelos demais países que compartilham o mesmo idioma?
Durante cinco anos estive à frente da única instituição voltada à juventude dos países lusófonos — três como coordenador e dois como presidente. Nesse período, sendo brasileiro, percebi no cotidiano uma evidente falta de interesse da população pelos assuntos relacionados à lusofonia.
Esse distanciamento chama ainda mais atenção quando comparado à realidade de outras nações que enxergam o Brasil como referência cultural, política e econômica. Enquanto isso, o brasileiro médio, muitas vezes, ignora a relevância dos demais países na própria construção da identidade nacional.
Em diversas ocasiões, liderei processos de recrutamento para novos membros da organização. Ainda que buscássemos equilíbrio geográfico, Brasil — e também Portugal — frequentemente apresentavam menor engajamento em comparação aos demais países.
Surge, então, uma pergunta: por que o país com o maior número de falantes da língua portuguesa demonstra tão pouco interesse pelos outros membros dessa comunidade?
Em conversas informais sobre meu trabalho na Juventude Unida dos Países de Língua Portuguesa (JUPLP), era comum que pessoas descobrissem, ali, que existem diversos países além de Portugal e Angola que têm o português como língua oficial. Muitas se surpreendiam com a quantidade.
O professor de geografia Matheus Superbi aponta que esse afastamento pode estar ligado à forte identidade cultural interna do Brasil. Segundo ele, a diversidade regional, rica em história e particularidades, faz com que muitos brasileiros consumam predominantemente sua própria cultura, sem ampliar o olhar para outras realidades. Além disso, destaca que o brasileiro tende a buscar referências externas principalmente nos Estados Unidos e na Europa, afastando-se inclusive de países vizinhos da América do Sul.
Como forma de ilustrar essa percepção, realizei um exercício simples com cinco pessoas ao meu redor, questionando quais países lusófonos conheciam — considerando apenas os nove que têm o português como língua oficial. O resultado foi revelador: a taxa média de acerto ficou em torno de 40%, ainda com a presença de erros e confusões entre países e territórios.
É fundamental que escolas, meios de comunicação e instituições promovam maior visibilidade às culturas, histórias e conexões existentes entre os países de língua portuguesa.

