O filme oferece uma profunda revisão historiográfica, posicionando a Galiza na vanguarda do pensamento europeu contemporâneo. A obra reforça a importância do legado dos eventos de 1846.
Redação |
O Teatro Principal de Compostela foi o palco da estreia no passado 26 de abril, do documentário ‘1846. Revolução Galega’. Com direção do investigador César Caramês, a obra é uma produção da Fundação Galiza Sempre.
O projeto documental foca-se na análise deste episódio determinante na história contemporânea da Galiza, oferecendo uma visão aprofundada sobre a revolução ocorrida em meados do século XIX. O filme oferece uma profunda revisão historiográfica, posicionando a Galiza na vanguarda do pensamento europeu contemporâneo. A obra reforça a importância do legado dos eventos de 1846, fundamentais para a compreensão da identidade galega contemporânea e o seu contexto internacional.
Diferente da visão de uma nação isolada e atrasada, o filme revela uma Galiza em sintonia com as correntes de vanguarda europeias. O diretor César Caramês explica que, na época, o barco a vapor conferiu uma vantagem estratégica às cidades portuárias galegas. Essa conectividade facilitou a criação de um núcleo de “socialismo racional” em Santiago de Compostela, que se desenvolveu em paralelo ao “socialismo científico” emergente noutras latitudes.
O documentário estabelece paralelos diretos entre a revolução de 1846, os movimentos de emancipação na América do Sul e as ondas nacionalistas europeias da década de 1840. Nesse contexto, o episódio é apresentado como a “primavera dos povos” galega, uma insurreição soberanista e popular. A obra retrata a Galiza da época como uma colónia da corte espanhola, monstrando uma sincronia com outros levantamentos como a Revolução do Minho.
Fruto de anos de investigação do professor César Caramês, ‘1846. Revolução Galega’ combina rigor pedagógico com uma linguagem acessível, servindo como ferramenta didática para escolas. A obra utiliza cenas de animação para recriações históricas e depoimentos de especialistas que contextualizam os factos.
A exibição no Teatro Principal de Compostela coincidiu com o 180 aniversário dos fuzilamentos de Carral, marco dramático do período. Após a estreia em Santiago, o filme percorrerá diversas localidades galegas.

