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Diretor da Biblioteca Nacional e Professor na Universidade Nova de Lisboa, o intelectual de 66 anos deixa uma herança definida pelo rigor crítico e pela modernização das ciências sociais no país, incluindo a dimensão colonial.
Figura de destaque da historiografia portuguesa contemporânea, Ramada Curto, era professor catedrático no Departamento de Estudos Políticos da Universidade Nova de Lisboa e investigador no Instituto Português de Relações Internacionais.
Licenciado em História e doutorado em Sociologia Histórica, construiu uma carreira académica ligada sobretudo à história global, ao colonialismo, aos impérios e à cultura política, tendo também abordado temas como a história do livro, da leitura e das ideias políticas.
Com um perfil inquieto, o historiador intervinha no debate público para questionar visões tradicionais ou celebratórias da Expansão Portuguesa. Livros como Cultura Escrita ou A Expansão Marítima Portuguesa espelham o seu foco nas dinâmicas de poder, na sociologia da cultura e na desconstrução de mitos da historiografia portuguesa.
O seu percurso como docente e investigador passou por instituições de prestígio, como a École des Hautes Études en Sciences Sociales, as universidades de Yale, Brown, e São Paulo e foi titular da Cátedra Vasco da Gama em Florença.
Para Diogo Ramada Curto, a internacionalização académica focava-se na circulação efetiva de saberes, conhecimento e pessoas. Através desta visão, impulsionou a mobilidade de estudantes portugueses e atraiu investigadores estrangeiros, consagrados ou emergentes, consolidando redes de conhecimento que transformaram o panorama científico português e reforçaram o intercâmbio académico global.
Impulsionou coleções fundamentais como “Memória e Sociedade” na Difel e “História e Sociedade” nas Edições 70. Assumiu a direção da Biblioteca Nacional de Portugal, onde priorizou a relação entre autores e público, criando a Sala Azul.
O seu legado estende-se à formação de diversas gerações, fruto de uma dedicação à orientação académica e à dinamização de seminários de discussão bibliográfica. Diogo Ramada Curto uniu o rigor intelectual à democratização do conhecimento, cuidando do património literário e humano contribuindo decididamente a transformar o panorama cultural e científico português.
Em 2013, venceu o Prémio PEN Clube de Ensaio pela obra Para que serve a história? e, em 2015, foi distinguido com o Prémio Jabuti por um trabalho coletivo sobre o Brasil colonial.

