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Arquitetura em foco: exposição “Habitar Portugal”

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Redação |

A exposição Habitar Portugal está a tornar-se um dos focos da atenção sobre o espaço doméstico em Portugal. A iniciativa mergulha na identidade das casas portuguesas, analisando como a evolução do design e da construção tem moldado o quotidiano nacional e a transformação urbana.

A exposição propõe uma reflexão sobre como os arquitetos têm respondido aos desafios demográficos e climáticos. Mais do que um portfólio de obras, a exposição procura aproximar o público geral da arquitetura, demonstrando que o ato de “habitar” vai além das paredes de uma residência.

Para a sua sétima edição, a Habitar Portugal selecionou 100 obras assegurando uma representatividade que inclui projetos de autoria portuguesa edificados no estrangeiro. Este registo oferece um olhar panorâmico desde 1974 mas tenta também projetar sobre o futuro da arquitetura contemporânea e o seu impacto direto no desenvolvimento social, económico e territorial no contexto global.

A Habitar Portugal 74 | 24 afirma-se como uma plataforma de reflexão e debate sobre cinco décadas de arquitetura. A exposição foi organizada através de três eixos temáticos: Arquitetura como Gesto Político, A Persistência da Memória e Ruturas e Novas Configurações.

No primeiro eixo, projetos emblemáticos como o Bairro 11 de Março, em Olhão (José Maria Lopes da Costa) ou o Conjunto Habitacional “Pantera Cor-de-Rosa”, em Lisboa (Gonçalo Byrne e António Reis Cabrita), servem de testemunho à capacidade da arquitetura em responder a períodos de transição. Estas obras exemplificam o papel decisivo dos arquitetos na democratização do acesso à habitação e na adaptação a novos contextos sociais.

O segundo eixo celebra a arquitetura como um diálogo com a história. Aqui, intervir no edificado é entendido como um ato de continuidade e reinvenção, onde o património é preservado e reinterpretado. Projetos como a Pousada de Santa Marinha da Costa (Guimarães), de Fernando Távora, o Convento de São Francisco (Vila Franca do Campo, São Miguel), de Teresa Nunes da Ponte, ou a reabilitação do Mercado do Bolhão (Porto), por Nuno Valentim, personificam esta sensibilidade e o respeito pela memória coletiva.

O terceiro eixo reúne obras que exploram novas linguagens, tecnologias e programas, desafiando convenções e antecipando futuros modos de habitar. A diversidade programática é aqui evidente através de marcos que romperam com o seu tempo: desde a verticalidade do Hotel Dom Henrique (Porto), de José Carlos Loureiro com Luís Pádua Ramos, à audácia formal do Complexo das Amoreiras (Lisboa), de Tomás Taveira, que definiu a década de 1980. Esta linha de inovação estende-se até à contemporaneidade com o Museu do Côa, de Camilo Rebelo e Tiago Pimentel, e o Centro de Interpretação do Românico (Lousada), dos Spaceworkers.

A mostra conta com a curadoria especializada de Alexandra Saraiva, Célia Gomes e Rui Leão e é o resultado de uma parceria entre a Ordem dos Arquitetos e o Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém. A Habitar Portugal estará aberta ao público até ao dia 26 de abril.

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