A UE aprovou a sua primeira estratégia de combate à pobreza, relatada pelo eurodeputado João Oliveira (CDU), integrante do grupo da Esquerda Unitária Europeia.
O Parlamento aprovou, com 385 votos a favor, 41 contra e 53 abstenções uma proposta para erradicar a pobreza na União até 2035. Os eurodeputados defendem mais coordenação e reforço do orçamento de longo prazo para combater a exclusão social, focando em habitação, serviços públicos e emprego. A estratégia prioriza a erradicação da pobreza infantil, que afeta 25% das crianças.
Com este propósito, o Parlamento exige a aplicação imediata da Garantia Europeia para a Infância para assegurar saúde, educação e nutrição gratuitas. Os eurodeputados propõem um orçamento de 20 mil milhões de euros e instam os Estados-Membros a destinar pelo menos 5% do Fundo Social Europeu ao combate à pobreza infantil. Em países com taxas superiores à média, essa verba deve atingir os 10%.
O Parlamento também defendeu o pleno emprego e a proteção social como pilares contra a pobreza. Para combater a precariedade laboral, os eurodeputados exigem salários justos, igualdade remuneratória e direitos laborais robustos. Além disso, propõem facilitar o acesso ao apoio à infância e à orientação profissional, garantindo que o trabalho seja um caminho eficaz para sair da exclusão social.
A Comissão e os Estados-Membros foram instados a aumentar o investimento público para garantir acesso universal a habitação, alimentação, energia e transportes. O objetivo é quebrar o ciclo da pobreza e promover a inclusão. Os eurodeputados propõem ainda um plano para erradicar a chaga das pessoas sem-abrigo até 2030, priorizando crianças, famílias e mulheres. O relatório defende também a participação política ativa das pessoas carenciadas na criação de políticas sociais.
Em 2024, 93,3 milhões de pessoas — incluindo 20 milhões de crianças — estavam em risco de pobreza. A União Europeia comprometeu-se a retirar 15 milhões de cidadãos (dos quais 5 milhões são crianças) desta situação até 2030, sob o Pilar Europeu dos Direitos Sociais. Como resposta estrutural, a Comissão Europeia está a finalizar a primeira estratégia de combate à pobreza, com lançamento previsto para o início de 2026
A bancada da Esquerda Unitária Europeia, integra as delegações portuguesas do Partido Coumnista Português e do Bloco de Esquerda, o Podemos e Sumar da Espanha, Euskal Herria Bildu do País Vasco, La France Insoumise, o Sinn Féin irlandês e o grego Syriza. A Itália é representada pelo Movimento 5 Stelle e a Sinistra Italiana e, a Alemanha, pelo Bündnis Sahra Wagenknecht e o Die Linke. A aliança conta ainda com partidos da Suécia, Países Baixos, Escandinávia e de Chipre.


