localização da Guiné Bissau num mapa político

Oposição na Guiné-Bissau recusa integrar governo após libertação

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A junta militar que agora governa o país alterou a Constituição para concentrar mais poderes na figura presidencial e agendou novas eleições gerais para dezembro de 2026.

Redação |

Apenas alguns dias após serem libertados, Domingos Simões e Fernando Dias — os principais líderes da oposição—, recusaram formalmente o convite para integrar o Governo constituído pela junta militar desde o golpe de Estado de novembro de 2025.

A decisão foi comunicada como uma questão de princípio ético e político. Ambos os líderes afirmaram que não pretendem “sujar os seus nomes” ao participar num executivo nomeado por generais golpistas.

Domingos Simões, líder do histórico Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), esteve sob prisão militar durante cerca de três meses. Já Fernando Dias, do Partido da Renovação Social (PRS), encontrava-se refugiado na embaixada da Nigéria em Bissau desde o golpe de estado que depôs Umaro Sissoco Embaló.

A libertação dos dois políticos foi o culminar de pressões internacionais. A libertação de Simões Pereira foi mediada pelo ministro da Defesa do Senegal, o país com maior ascendente sobre Guiné-Bissau desde sempre. O papel do general Birame Diop na libertação do líder do PAIGC, sublinha o papel preponderante que o Senegal e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) continuam a desempenhar na tentativa de estabilizar a Guiné-Bissau.

Apesar da libertação, o cenário político permanece incerto. A junta militar, liderada pelo general Horta Inta, alterou a Constituição para concentrar mais poderes na figura presidencial e agendou novas eleições gerais para dezembro de 2026.