Reivindicações, nascidas em maio de 2018 denunciam manipulação informativa, incumprimento da Lei de Meios de 2011 e a desproteção da identidade cultural e linguística. Os trabalhadores qualificam a entidade como “instrumento de propaganda” do governo. Nova Lei de Meios anunciada viria a agravar a situação.
Redação |
A mobilização dos trabalhadores da televisão pública da Galiza conhecida como “Venres Negros” (Sextas-feiras Negras) do coletivo “Defende a Galega”, cumpre a marca de 400 semanas consecutivas, consolidando-se como um dos movimentos de protesto mais longos da história do jornalismo europeu, um marco simbólico na luta pela liberdade de expressão e pelos serviços públicos de comunicação.
As reivindicações, nascidas em maio de 2018, mantêm-se firmes na denúncia do que os trabalhadores descrevem como o desmantelamento progressivo dos meios públicos galegos. As reivindicações centrais permanecem inalteradas: o fim da manipulação informativa, o cumprimento da Lei de Meios de 2011 — que prevê a criação de um Conselho de Redação e o estatuto profissional — e a proteção da identidade cultural e linguística da Galiza.
Trajados de negro, jornalistas, técnicos e administrativos da Televisão Galega e da Rádio Galega têm ocupado as redes sociais e as portas dos centros de trabalho para alertar a sociedade civil sobre o controlo governamental exercido sobre a informação. Segundo os porta-vozes do movimento, a CRTVG transformou-se num “instrumento de propaganda”, negligenciando o pluralismo necessário a uma democracia saudável.
O marco das 400 semanas coincide com um momento de tensão política elevada. Recentemente, a maioria do Partido Popular no Parlamento, avançou com uma nova Lei de Meios que, segundo os sindicatos e o coletivo Defende a Galega, agrava a situação. A nova, permitirá uma maior governamentalização da estrutura e abrir caminho para a externalização de serviços fundamentais. Dentro desse movimento de externalização o nome da própria marca pública CRTVG nascido em 1985 passou recentemente para Corporação de Serviços Audiovisuais da Galiza (CSAG)
O apoio às mobilizações tem transbordado as fronteiras da corporação, recebendo a solidariedade de figuras públicas, associações e cidadãos que veem na rádio e televisão públicas um pilar essencial da autonomia política galega.
Apesar do desgaste natural de quase oito anos de protestos, a mobilização não dá sinais de esmorecer. Pelo contrário, para os próximos meses, estão previstas novas ações judiciais e manifestações de rua, com o objetivo de forçar uma negociação real que devolva a CRTVG aos cidadãos galegos.


