imagem do protesto com mulher com megafone e um cartaz a dizer "Mercosur: fome pro norte e fome pro sul"

Campo galego contrário ao acordo de livre comércio

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Organizações agrárias denunciam concorrência desleal e alertam para o encerramento em massa de explorações. Entrada de produtos sul-americanos teriam menores exigências sanitárias e ambientais.

Redação |

O setor primário na Galiza está em pé de guerra contra o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. O tratado é visto pelos agricultores e criadores de gado galegos como uma sentença de morte para o modelo de exploração familiar que sustenta o território. O sector também considera o acordo ser em troca de benefícios para as indústrias automóvel e farmacêutica da Europa Central.

A principal denúncia do setor reside na desigualdade de condições. Enquanto os produtores europeus enfrentam regulamentações ambientais e de bem-estar animal cada vez mais rigorosas e dispendiosas, os produtos provenientes do Mercosul não estão sujeitos aos mesmos padrões. A entrada massiva de carne de bovino e produtos avícolas a preços muito inferiores — o chamado dumping regulamentar — poderá levar ao colapso dos preços pagos aos produtores locais. Para muitas explorações familiares na Galiza, que já operam com margens de lucro mínimas, esta queda de preços tornará a atividade economicamente inviável.

O encerramento das explorações não é apenas um problema económico, é uma crise social e territorial. O abandono das terras no rural acelera o despovoamento e, consequentemente, aumenta o risco de incêndios florestais devido à falta de gestão do território e à acumulação de biomassa. Mas não só, representantes agrários sublinham que este acordo coloca também em causa a segurança alimentar, ao abrir a porta a produtos que utilizam fitossanitários e hormonas proibidos na Europa.

Os porta-vozes de organizações como o Sindicato Labrego Galego, Elas e Eles e a Agromuralha alertaram para os perigos de um mercado sem barreiras com gigantes como o Brasil e a Argentina. Mas as críticas chegam também do sul. Na avaliação do economista Paulo Nogueira Batista Jr, que foi vice-presidente do banco dos BRICz e ex-diretor-executivo do FMI representando o Brasil e outros dez países “O acordo é um acordo de tipo neoliberal, ou até neocolonial. Ajuda a cristalizar a situação em que o Brasil exporta produtos primários para a União Europeia e importa produtos industrializados. O acordo é anti-industrial para o Brasil. Abre o mercado brasileiro em etapas, até a liberação completa em termos tarifários às corporações europeias, principalmente alemãs, que são estruturalmente muito mais competitivas que nossas indústrias”, lamentou, durante entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

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