Diferentes inciativas escolheram por votação as palavras que marcaram o ano focando as suas atenções na fragilidade das infraestruturas e na tragédia humanitária.
Redação |
A iniciativa promovida pela Porto Editora consagrou “Apagão” como a Palavra do Ano. O termo conquistou 41,5% dos votos, numa eleição que contou com milhares de participações. A escolha é um reflexo direto do impacto causado pela grande falha no fornecimento elétrico ocorrida em abril, que paralisou transportes, comunicações e serviços essenciais em todo o território.
Segundo a Porto Editora, a vitória de “apagão” não se deve apenas ao incidente técnico, mas ao sentimento de “incerteza e aflição” que gerou na população. No pódio das preocupações dos portugueses seguiram-se as palavras “imigração” (22,2%) e “flotilha” (8%). A lista de finalistas incluía ainda termos como “agente (IA)“, refletindo a crescente digitalização, e “fogos“, uma constante na memória coletiva relacionada com os incêndios que mais uma vez assolaram Portugal.
Por sua vez, o Portal das Palavras anunciou “Genocídio” como a palavra vencedora de 2025. Com mais de 40% dos votos, o termo impôs-se a outras candidatas como “foliada” e “lume“. A escolha sublinha a profunda preocupação da sociedade galega com a atualidade internacional da Palestina massacrada pelo estado de Israel. Esta iniciativa —gerida pela Fundação Barrié e a Real Academia Galega— destacou que, a força de “Genocídio” reside na sua precisão jurídica e ética para descrever a aniquilação de grupos. A lista galega também prestou homenagem à cultura própria com o termo “retrinco” (associado ao ano de celebrações em torno do político e escritor Daniel Castelao) e à realidade ambiental com a palavra “lume“, que tal e como na escolha da Porto Editora faz referência aos incêndios do verão.
Anteriormente o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências já teria escolhido 15 termos que se consolidaram durante o ano no discurso público e no quotidiano. No entanto estas eleições anuais —abertas a votação online— funcionam também como barómetros sociais. Destarte, enquanto em 2024 a “liberdade” (Portugal) e a “cantareira” (Galiza) evocavam celebração e cultura, 2025 termina com um tom mais sombrio.
Na lista da Porto Editora o foco recaiu sobre a vulnerabilidade do quotidiano moderno e, no Portal das Palavras, o olhar voltou-se para a responsabilidade ética perante a dor alheia. Em ambos os casos, as escolhas serviram para nomear os traumas do presente.


