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O Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa encerra o ano com a sua tradicional seleção dos vocábulos e expressões que mais espelharam os acontecimentos, debates e transformações sociais, políticas e tecnológicas em Portugal. Num balanço que reflete crises energéticas, a urgência climática e um forte debate laboral, a equipa de lexicografia identificou 15 termos que se consolidaram no discurso público e na língua do quotidiano.
No centro esteve a vulnerabilidade energética, catapultada pelo termo “Apagão”. A interrupção no fornecimento de eletricidade em abril, que afetou serviços essenciais em grande parte do país, garantiu a presença da palavra no topo do léxico noticioso.
O ambiente político e económico foi dominado por duas expressões chave. O “Orçamento retificativo” ocupou a agenda parlamentar e mediática com a redefinição de prioridades, enquanto “Habitação acessível” permaneceu uma constante, refletindo a crise no setor, o aumento das rendas e o impacto das políticas públicas. No contexto das eleições europeias, a “Desinformação” voltou a ser um tema quente sobre a confiança nas instituições.
No plano laboral, o termo “Tarefeiro” foi central nas discussões sobre modelos de contratação e a precariedade. O ano fechou com “Greve” em destaque, na sequência da convocatória a 11 de dezembro contra um pacote de alterações laborais.
Os eventos climáticos extremos garantiram uma forte presença de vocábulos associados ao ambiente e à sobrevivência. O verão, marcado por ondas de calor inéditas, reforçou a palavra “Canícula”. Em paralelo, os grandes “Incêndios” reavivaram o debate sobre prevenção e ordenamento florestal. Os impactos humanos destas alterações trouxeram de volta a expressão “Refugiado climático”, recorrente em reportagens sobre deslocações populacionais. A nível psicológico, a preocupação crescente com a crise ambiental, sobretudo entre os mais jovens, consolidou “Ecoansiedade” nas discussões sobre saúde mental e sustentabilidade.
A esfera tecnológica e digital foi outro pilar do léxico de 2025. “Soberania digital” ganhou relevância ligada ao desenvolvimento de modelos de inteligência artificial locais e à proteção de dados. A presença da IA no quotidiano traduziu-se na consolidação do termo “Assistente conversacional”, devido à integração de chatbots avançados em serviços públicos e empresas. Por outro lado, a segurança cibernética manteve-se uma prioridade, com o termo “Ciberataque” a ser frequentemente noticiado após incidentes em autarquias e hospitais.
Por fim, o panorama internacional marcou a eleição papal, que fez regressar o termo “Conclave” ao centro do debate, com a escolha do Papa Leão XIV, sucessor de Francisco. Em termos humanitários, “Flotilha” ganhou forte visibilidade mediática, associada às missões de ajuda no contexto do genocídio israelita na Palestina.


