Em anos anteriores a mesma associação teria acedido aos fundos públicos sem impedimentos deste teor. O uso duma ortografia ligada ao português estaria no cerne da polêmica
Redação |
O Centro Social A Pedreira avançou com um processo no Tribunal Contencioso-Administrativo contra a Deputação provincial de Ponte Vedra. Em causa está a alegada discriminação na concessão de fundos públicos, após a instituição provincial ter negado subsídios à associação devido ao uso duma ortografia próxima ao português nos seus materiais.
Segundo os responsáveis da associação, a exclusão terá acontecido no âmbito do programa “Culturea“, destinado à promoção da língua e da cultura galega. A Pedreira afirma que a Deputação decidiu este ano vetar a sua candidatura apesar de cumprirem todos os requerimentos técnicos. Este coletivo argumenta que a decisão não se baseia em critérios administrativos, mas numa tentativa de “impor um modelo linguístico único” para o galego ligado ao uso duma ortografia castelhana. Ainda, segundo declaram, teriam recebido apoios e fundos públicos em anos anteriores sem qualquer impedimento.
Para fundamentar a denúncia, o Centro Social A Pedreira apresentou um relatório técnico elaborado pelo professor Elias Torres, vice-reitor e decano da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela. O documento defende a rigor e a legitimidade da ortografia utilizada sendo uma prática com um percurso de longa data.
Em comunicado, a associação sublinha que o seu trabalho cultural, e em concreto o uso escrito da língua, mantêm-

se inalterados há anos, apontando antes para uma mudança na direção política na Deputação como a única variável para o atual bloqueio. “Não aceitaremos que as instituições utilizem a promoção da nossa língua como ferramenta de censura“, afirmam, classificando a posição da Deputação como um ataque ao pluralismo.
Em causa parece estar mais uma vez o direito de uso duma ortografia ligada ao português em textos redigidos “em galego” e o acesso a dinheiro público destinado à promoção cultural. Uma controvérsia que tem acompanhado a língua da Galiza desde a sua oficialidade em 1981 e que excluiria textos escritos fora da norma promovida pela administração.
O julgamento ficou agendado para o dia 18 de junho de 2026. Até ao momento, a Deputação presidida por Luís López Diéguez, do Partido Popular, tem mantido a sua posição de indeferimento.

