Os dados revelam que a extensão ardida aumentou 119% relativamente à média anual do período 2015-2024, apesar do menor número de incêndios
Redação |
De acordo com o 8º Relatório de incêndios florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, até 15 de outubro de 2025 registaram-se 8235 incêndios.
Os fogos resultaram em 269.085 hectares de área ardida, entre povoamentos (124.530 ha), matos (115.594 ha) e agricultura (28.961 ha). Até 15 de outubro, o país assinalou uma redução de 29% em comparação com a média dos 10 anos anteriores.
Este valor coloca 2025 como o quarto ano com menor número de incêndios desde 2015.
Porém, apesar da menor frequência, os dados revelam que a extensão ardida aumentou 119% relativamente à média anual do período 2015-2024.
Este aumento coloca 2025 como o segundo ano com maior área ardida nestes dez anos. Os dados também mostram que 84% dos incêndios tinham uma área ardida inferior a um hectare. A área ardida total foi dominada por incêndios de grande porte, sendo registados 96 grandes incêndios que resultaram na queima de 257.985 hectares e 96% do total da área ardida, e 32 com uma área ardida igual ou superior a 1000 hectares cada. Dos 8.235 incêndios registados, um total de 6.671 (81%) foram investigados, permitindo atribuir uma causa específica a 4.868, (73%).
Os dados da distribuição de causas foram: incendiarismo (31%), queimadas extensivas (9%), queimas de amontoados 6% e reacendimentos (11%).
A análise distrital revela que o Porto é o distrito com o maior número de ocorrências, mas é a Guarda que sofre o impacto mais severo em termos de área ardida. O Porto lidera a lista com 1.921 incêndios, seguem-se Braga com 804 e Viana do Castelo com 642 ocorrências.
Nestes três distritos, a maioria dos incêndios foram de dimensão inferior a 1 ha. Quando se analisa a área ardida, a Guarda é o distrito mais afetado, com 83.790 hectares, 31% da área total ardida. Viseu é o segundo mais afetado, com 42.183 hectares, 16% do total e segue-se Castelo Branco com 39.313 hectares, 15%.
A análise regional, baseada nas Comunidades Intermunicipais ou NUTS III, sublinha o Norte a registar o maior número de ocorrências e o Interior Centro a sofrer o maior impacto. Três regiões destacam-se pelo elevado número de registos: Tâmega e Sousa, 1.221 incêndios, área metropolitana do Porto, 1.218 e Alto Minho 642.
Por sua parte, a área ardida é dominada pelo interior, com destaque para a região das Beiras e a Serra da Estrela 106.794 ha (40%), o Douro 55.460 ha (21%) e a região de Coimbra 26.149 ha (10%).
O relatório revela o peso do mês de agosto registando 2.235 incêndios, 27% do total de fogos verificados, contabilizando 217.370 hectares queimados, 81% da área ardida.
A análise da relação à severidade meteorológica local revela que o início da ignição acontece em momentos de menor risco climático, sendo que a severidade meteorológica está associada a uma combinação de temperatura elevada, vento forte, baixa humidade relativa e ausência de precipitação.
No que se refere a incêndios ocorridos com maior nível nos índices de medição, o relatório assinala a ocorrência de 446 incêndios.


