Reitorado da USC, a universidade mais antiga da Galiza

Reitoras na universidade galega por vez primeira

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Redação |

A partir de 2026, duas universidades galegas terão uma reitora à sua frente pela primeira vez. A primeira vez em Portugal foi em 2012. Portugal e a Galiza registam um número superior de mulheres licenciadas em relação aos homens há mais de 30 anos.

Em fevereiro de 2018, as universidades portuguesas contavam com três mulheres como reitoras em simultâneo: Ana Costa Freitas, foi eleita Reitora da Universidade de Évora em 2014, sendo referida como a primeira reitora de uma universidade pública em Portugal; Isabel Capelôa Gil foi nomeada Reitora da Universidade Católica Portuguesa em 2016 – após Maria da Glória Garcia que foi reitora em 2012-2016 da universidade privada – e Maria de Lurdes Rodrigues foi eleita Reitora do Instituto Universitário de Lisboa em 2018.

Sete candidatas ao reitorado

A partir de 2026, duas das três universidades galegas terão uma reitora eleita pela primeira vez. Maite Flores, Alba Nogueira, María José López, Mar Lorenzo e Rosa Crujeiras pela Universidade de Santiago de Compostela e Belén Rubio e Carmen García Mateo pela Universidade de Vigo são os nomes das sete candidatas que disputarão os reitorados em fevereiro e maio respetivamente, não havendo candidatos homens.

Portugal e a Galiza registam um número superior de mulheres licenciadas em relação aos homens há mais de 30 anos. A tendência é semelhante para as diplomadas de mestrado e doutoramento. Porém, na docência no ensino superior, encontram-se em minoria, ainda que a tendência é de um aumento gradual da representação feminina.

Entre o corpo docente universitário galego, as mulheres representavam 43,4% em 2023, e a sua proporção mantém uma tendência ascendente desde os 35,9% do ano 2008. Entre o corpo docente auxiliar, as mulheres são maioria (54,5%), mas não entre os associados (38,5%) nem entre os titulares (44,7%).

O teto de vidro continua, mas é cada vez menor

À medida que se sobe nos diferentes níveis docentes, o peso das mulheres é inferior e, assim, a percentagem de professoras catedráticas é de 28,4%, quando em 2008 era de 18,9%. No sistema universitário português, os dados também mostram um aumento de mulheres na docência do ensino superior, mas com progresso mais lento do que o verificado no número de alunas ou doutoradas.

No início do século, a representação feminina era significativamente menor do que a masculina. No ano académico 2001/2002 era 40,8%, em 2021/2022 46,2%, sendo a atual próxima de 47%. Portanto, as mulheres constituem aproximadamente metade do pessoal académico, mas a representação diminui nas categorias mais altas.

A maior disparidade ocorre nas categorias de topo da carreira académica: nas professoras catedráticas e coordenadoras principais, a percentagem de mulheres é inferior a ⅓, e, a percentagem nos cargos de liderança (reitoras de universidades e presidentes de institutos politécnicos) também tem sido historicamente baixa, embora se registem progressos pontuais.

Pertencem à história os tempos de Domitila de Carvalho, a primeira mulher a frequentar o ensino superior em Portugal na Universidade de Coimbra em 1891 ou da ativista social galega Concepción Arenal, que frequentou como ouvinte de aulas a Universidade Central disfarçada de homem, conseguindo que lhe permitissem continuar a frequentar as aulas depois de passar num exame.

E no entanto, o teto de vidro continua a ser real em 2025.

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