crianças a olhar para a câmara num pátio de barracas

Profundas desigualdades na comunidade cigana

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Redação |

O recente Estudo de Saúde da População Cigana na Galiza 2025, lança um olhar crítico sobre as condições de vida de mais de 7.000 pessoas de etnia cigana galegas. Cerca de 70% se concentram nas sete maiores cidades e, no que diz respeito às habitações, o estudo indica que a metade das pessoas apresenta problemas de habitabilidade: 10% da população cigana é afetada pela construção de barracas e pela sub-habitação.

As desigualdades são ainda mais evidentes no panorama educativo. Mais de metade da população cigana não possui estudos formais. Enquanto a formação universitária é quase inexistente (apenas 0,8%), o analfabetismo atinge valores devastadores em certos territórios: o que é de 5,75% na população geral, pode chegar a 80% na comunidade cigana em zonas mais afetadas. Estas brechas são agravadas por fortes desigualdades de género.

As mulheres ciganas enfrentam barreiras significativas no acesso à saúde preventiva. O estudo indica que 52,7% das mulheres nunca recorreram ao ginecologista por razões que não estivessem relacionadas com a gravidez. Além disso, a cobertura de rastreio de cancro da mama é muito baixa, com apenas 16% das mulheres que tinham indicação a realizar a mamografia.

Por sua parte, de acordo com as conclusões do Inquérito às Condições de Vida, Origens e Trajetórias da População Residente, a comunidade cigana em Portugal enfrenta igualmente uma realidade de profunda desigualdade. A discriminação é generalizada, sendo que, mais de metade da população que se autoidentifica como de etnia cigana (51,3%) já foi alvo de discriminação, evidenciando um desafio persistente de preconceito.

A comunidade regista indicadores de condições de vida muito inferiores à média nacional. Das 47.500 pessoas portuguesas de etnia cigana, cerca de três quartos (72,6%) estão posicionadas no primeiro quintil da distribuição do rendimento. Isto significa que mais de sete em cada dez pessoas deste grupo encontram-se entre os 20% da população com os rendimentos mais baixos do país. Enquanto o acesso à internet atinge 91,8% para a população total, o grupo cigano apresenta uma proporção de 74,2%. Apenas 46,8% da comunidade usufrui de conforto térmico adequado no seu alojamento e, a posse de automóvel próprio, é detida por apenas 55,1% deste grupo. A comunidade cigana apresenta uma alta proporção de pessoas com os níveis de escolaridade mais baixos. O inquérito aponta que o grupo atinge 91,8% com valores acima da média no nível de escolaridade mais baixo, reforçando as barreiras no acesso e na conclusão dos ciclos de ensino.

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