eucaliptos a ocupar a berma duma pista florestal

Expansão do eucalipto na Galiza dispara alarmes

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Os dados do Inventário Florestal Contínuo de Galiza (IFCG), divulgados na semana passada, revelam um aumento da superfície ocupada pelo eucalipto que já atinge as 438.156 hectares.

Redação |

O incremento de mais de 25.000 hectares entre 2022 e 2024, um crescimento de 6%, coloca em causa a eficácia da moratória à plantação em vigor desde 2021 estabelecida pelo Plano Florestal, que visava reduzir em 5% a superfície até 2040.

O presidente galego, Afonso Rueda, atribuiu o crescimento à contabilização de árvores “já plantadas antes da moratória” que só agora atingiram o tamanho que as faz entrar nos registos e a oposição política e ambientalistas veem este resultado como um “fracasso” da política florestal.

A flexibilização da moratória aprovada pelo governo galego, que a prorroga até 2030, permite a substituição de pinhais por eucalipto em certas condições e aumenta a preocupação sobre o futuro do ecossistema florestal galego. O Bloco Nacionalista Galego criticou a moratória argumentando que as novas flexibilizações — como a substituição de pinhais afetados pela praga da vespa—, “abrem a porta” e “incentivarão” o avanço do monocultivo de eucalipto em novas áreas, favorecendo os interesses de empresas como a ENCE e a ALTRI.

A crítica do Bloco também se foca no risco para “o futuro das aldeias, da economia do rural e da identidade de Galiza“. Pela sua parte o Partido dos Socialistas da Galiza demonstrou o apoio à extensão da moratória, mas com crítica à falta de controlo e à sua aplicação flexível, salientando a ineficácia da moratória e sugerindo uma falta de fiscalização.

Os socialistas instaram o governo galego a “parar de colocar os interesses das empresas privadas acima dos interesses florestais e ambientais”, opondo-se às flexibilizações, por considerarem que comprometem a floresta multifuncional e a prevenção de incêndios.

A Fundação Arume, entidade que representa a cadeia monte-indústria do pinheiro, manifestou preocupação com os números do IFCG e alertou que “se dermos via livre ao eucalipto, a indústria do pinheiro desaparece” e defendeu que é preciso duplicar a superfície plantada com coníferas anualmente para travar a regressão dos pinhais e proteger a indústria associada, composta por cerca de 120 serrações e fábricas de painéis.

A Galiza e Portugal continental apresentam uma significativa extensão de eucalipto. O Inventário Florestal Contínuo de Galiza (IFCG) de 2025 registou 438.156 hectares, cerca de 14,8% do território galego.

Em Portugal continental, o último Inventário Florestal Nacional (IFN), com dados de 2015, aponta para 844.000 hectares, quase o dobro do galego, mas corresponde a cerca de 9,5% do território continental português.

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