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A ligação fluvial entre Caminha e a Guarda, assegurada pelo ferry Santa Rita de Cássia, continua a ser um tema de incerteza e frustração para as populações minhotas. O ferry, propriedade da Câmara Municipal de Caminha, está inoperacional desde 2021. Enquanto a embarcação aguarda uma decisão, a sua paralisação prolongada tornou-se um símbolo das dificuldades na gestão do rio Minho.
Após a conclusão das obras de reparação do cais da Guarda, o obstáculo intransponível é o assoreamento da foz do Minho. A acumulação de sedimentos e areia criou bancos que tornam a travessia insegura ou impossível, mesmo para o calado pequeno do ferry. Em julho de 2025, a Câmara de Caminha tomou a decisão de o rebocar para os estaleiros da Guarda.
Esta ação visava uma avaliação técnica ao estado da embarcação e a eventual reparação das necessidades identificadas Contudo, mesmo que o barco estivesse apto a navegar, a sua utilização seria inviável sem a resolução do problema estrutural que afeta o Minho.
O anterior autarca de Caminha, Rui Lages, tem defendido a retoma do serviço, destacando a importância histórica, social e económica da ligação entre as duas margens do Minho. A chave para desbloquear a situação está na mão das autoridades centrais.
O desassoreamento da foz do Minho é uma intervenção complexa e dispendiosa, que requer coordenação entre ambas as margens do rio e pareceres ambientais rigorosos. Durante 2025, o tema esteve na agenda das reuniões da Comissão Mista Luso-Espanhola de Assuntos Transfronteiriços.
As negociações centraram-se na definição da área a dragar, na partilha de custos e na obtenção das licenças ambientais. A lentidão burocrática e a magnitude da obra têm adiado sucessivamente o início dos trabalhos. Enquanto o serviço público está parado, a travessia tem sido assegurada por operadores privados, nomeadamente por serviços de Taxi-Boat como o Xacobeo Transfer.
Estas pequenas embarcações, com maior agilidade e menor calado, conseguem, em muitos casos, contornar os bancos de areia; porém, estes serviços privados acarretam custos superiores e não substituem a capacidade de transporte de veículos e mercadorias que o ferry público oferecia.
A comunidade minhota aguarda uma ação concertada que restabeleça a normalidade da circulação que há anos estrangula a ligação Caminha – Guarda.

