Redação |
A realização em Vigo do desfile do Dia de las Fuerzas Armadas, previsto para maio de 2026 está a receber críticas por parte de setores sociais e políticos da cidade.
Enquanto a cobertura institucional destaca o evento como uma oportunidade para mostrar o “reconhecimento e apoio” às instituições militares, a narrativa de outras vozes é diametralmente oposta. A crítica mais veemente centra-se no elevado custo do evento e na sua inserção numa estratégia de rearmamento que o movimento social tem vindo a denunciar.
O coletivo Insubmissas Contra o Rearmamento, vê neste desfile um sintoma da “catástrofe social financiada com os nossos impostos” e critica que o aumento do gasto militar para mais de 2% do PIB não visa a proteção, mas sim fomentar uma “indústria que se alimenta do medo“, ligada a alianças militares e contratos bélicos. Para esta organização a cidade de Vigo não pode ser “um laboratório de guerra“, defendendo, ao invés, uma transição ecossocial baseada na justiça, a paz e a democracia.
Por sua parte, o Bloco Nacionalista Galego de Vigo contestou a conveniência e o significado da presença em território galego dum evento das forças armadas espanholas, sublinhando que o desfile representa uma ostentação alheia aos verdadeiros interesses e necessidades da cidadania.
Embora o autarca do PSOE, Abel Caballero, tenha promovido e apoiado o evento, destacando a tradição de “apoio e afeto” da cidade ao exército espanhol, as primeiras críticas sociais sugerem que a presença do exército será contestada socialmente.
O contraste entre a pompa e o apoio institucional e as vozes que apostam pelo desinvestimento na guerra e maior investimento nos cidadãos parece estar a crescer, vindo a marcar o debate sobre a conveniência da parada militar na cidade e transformando-a num palco para a polarização política.
À divergência sobre o papel do militarismo e das prioridades do gasto público acrescentar-se-ia, para alguns, a rejeição social contra a presença de atos do exército espanhol na Galiza.

