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Um fantasma silencioso e persistente paira sobre os campi universitários da Galiza e Portugal. Dados recentes confirmam uma tendência da diminuição do número de alunos matriculados no ensino superior. Se no passado a universidade era vista como um motor de desenvolvimento e ascensão social, hoje o seu futuro parece incerto, com um declínio que desafia o modelo educativo e social. A situação levanta questões profundas sobre o futuro da educação, do trabalho e da demografia da faixa atlântica peninsular.
A descida do número não é uma novidade mas a sua aceleração tem alarmado profissionais e especialistas, sendo a tendência ainda mais visível nas regiões do interior português, onde algumas instituições enfrentam uma realidade que, se continuar, poderia comprometer a sua viabilidade.
A análise dos dados revela que a queda não tem uma única causa. A questão demográfica é, sem dúvida, a mais estrutural. As taxas de natalidade na Galiza e Portugal são das mais baixas da Europa. A base da pirâmide etária encolhe a cada ano e a diminuição do alunado nas escolas secundárias reflete-se nas universidades.
A emigração de jovens qualificados para países com melhores perspetivas laborais e salariais é também um fator crucial. Muitos dos que terminam os seus estudos optam por procurar oportunidades no estrangeiro, o que desincentiva a nova geração a seguir um percurso universitário que não garante um futuro estável na terra. O desinvestimento no ensino superior e a falta de oportunidades para os recém licenciados criam um ciclo vicioso difícil de quebrar.
Outro ponto de análise é a perceção do próprio valor da licenciatura. No passado, um diploma universitário era um passaporte para uma carreira profissional e social de sucesso. Com a proliferação de licenciados, o mercado de trabalho está saturado em certas áreas, e muitas empresas valorizam mais a experiência prática e as competências técnicas do que o título académico.
A falta de alojamento a preços acessíveis nas grandes cidades contrasta com a concentração de oportunidades de trabalho mas, mesmo assim, a falta de dinamismo económico e social no interior incentivam os jovens a emigrarem e a mudar-se para Compostela, Corunha, Lisboa, Porto e Vigo.
A queda de alunado é o reflexo de uma sociedade que envelhece, de um mercado de trabalho estagnado e com condições precárias e de uma economia que luta para se modernizar. A resolução da crise de alunado nas universidades exigirá uma visão de longo prazo e um compromisso de todos os agentes, incluídos os próprios jovens, para que o conhecimento continue a ser um dos motores de desenvolvimento de Portugal e da Galiza.

