Sob o lema “Palestina e além: Educar na vida em tempos de genocídio”, o XXXVI Encontro de Educadoras/es pela Paz realizou uma edição histórica em Nigrám. O evento assinalou os 40 anos desde a primeira reunião do coletivo.
Redação |
Sob o lema “Palestina e além: Educar na vida em tempos de genocídio“, o Encontro Galego-Português de Educadoras/es pela Paz realizou uma edição histórica em Nigrám. O evento assinalou os 40 anos desde a primeira reunião do coletivo, em 1986, regressando ao mesmo cenário onde se estabeleceram os fundamentos deste intercâmbio pedagógico e social.
A Residência de Tempo Livre de Panxom, em Nigrám, foi a sede do XXXVI Encontro Galego-Português de Educadoras/es pela Paz entre os dias 24 e 26 de abril. Esta edição visou desafiar o avanço de uma cultura global cada vez mais imersa na violência cultural e estrutural, tendo o cerco à Palestina como o exemplo mais visível e cruel da atualidade.
Foi também objetivo dos organizadores que os participantes se unissem num espaço único de convivência e de construção coletiva de alternativas educativas para o fomento da não-violência e a paz. O objetivo do Encontro foi contribuir a travar a ocupação colonial, a destruição, o desterro, a privação dos direitos humanos básicos e o genocídio resultante da ideologia de supremacia cultural, presente tanto no projeto sionista para a Palestina como, de forma geral, no Norte Global.
O programa iniciou-se na sexta-feira, 24 de abril, com a reflexão inaugural de Sara Ashour, ativista palestiniana formada pela Universidade de Santiago de Compostela. No sábado 25, realizou-se a mesa redonda sobre experiências educativas e direitos dos povos, seguida da conferência “Gaza: Um genocídio televisionado”, ministrada pelo escritor e oftalmologista cisjordano Mohamed Safa. O dia incluiu ainda atividades sobre cultura e paz com música e dança galegas, o combate à violência sexual contra as mulheres, a transição para uma linguagem não-binária e dinâmicas de aprendizagem cooperativa para a convivência intercultural.
O encerramento ocorreu no domingo, 26 de abril, com a apresentação do novo número da Revista Galega de Educação da Nova Escola Galega, seguida de uma assembleia e da largada simbólica da Pomba da Paz.
A Nova Escola Galega denunciou publicamente a Conselharia de Educação do governo galego por aplicar censura e controlo ideológico sobre o Encontro Galego-Português de Educadoras/es pela Paz. A denúncia surgiu após a denegação da homologação prévia da atividade, sob a justificação de que esta não cumpriria o princípio de neutralidade ideológica estabelecido em junho de 2025 pelo governo dos populares.


