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A UC Irvine News noticiou, no dia 2 de março, o lançamento do estudo “Thirty years of glacier grounding line retreat in Antarctica”. O trabalho é um marco na glaciologia por compilar 30 anos de dados sobre a estabilidade do gelo na Antártica.
Glaciologistas da Universidade da Califórnia em Irvine, revelaram que 23% dos glaciares antárticos que desaguam no mar estão em rápido retrocesso. Com base em 30 anos de dados satelitais, o estudo destaca que as áreas mais críticas são os mares de Amundsen e Bellingshause na Antártica Ocidental e a Terra de Wilkes, na Antártica Oriental.
Os cientistas utilizaram três décadas de monitoramento via satélite para mapear a vulnerabilidade da Antártica. A conclusão é que, apesar da estabilidade geral do continente, regiões específicas estão perdendo o equivalente a 90.000 km2 de gelo a cada triênio.
De acordo com o estudo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, a maior parte da costa antártica (77%) manteve suas bases glaciais estáveis desde 1996. No entanto, o recuo severo registado na Antártica Ocidental, na Península Antártica e em setores da Antártica Oriental causou uma perda de 12.820 km2 de gelo apoiado no leito. Essa área, que deixou de estar ancorada na rocha, equivale a cerca de 130 vezes o tamanho de Lisboa.
A camada de gelo tem recuado de sua linha de encalhe a uma taxa média de 442 km2 por ano. As transformações mais severas foram registadas na Antártida Ocidental, especificamente nos mares de Amundsen e Getz, onde o recuo dos glaciares variou entre 10 e 40 km. Destacam-se as perdas dos glaciares Pine Island (33 km) e Thwaites (26 km), além do glaciar Smith, que apresentou um recuo de 42 km.
Embora os pesquisadores consigam explicar a maior parte dos padrões de recuo pela intrusão de águas oceânicas aquecidas sob as camadas de gelo, a migração acentuada das linhas de encalhe no nordeste da Península Antártica permanece sem uma explicação.
Nesta região, várias plataformas de gelo colapsaram antes do período de estudo, e glaciares como Edgeworth (que perdeu 16 km), Boydell, Sjögren, Bombardier e Dinsmoor recuaram significativamente. Os glaciares Hektoria, Green e Evans desprenderam 21, 16 e 9 km, respetivamente, além de suas posições de linha de encalhe em 1996.
O estudo oferece dados essenciais para entender o equilíbrio entre o ganho e a perda de gelo no continente. A confirmação de que 77% da Antártica permanece altamente estável permite alinhar medições que antes pareciam contraditórias na Antártica Oriental. Ao mesmo tempo, a pesquisa mapeia exatamente onde o gelo está desaparecendo de forma acelerada nas demais regiões.

