corrupçao em 2023 num mapa político a cores de verde a vermelho

Corrupção: 68% dos países do mundo falham em exames de integridade

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No âmbito da CPLP, Cabo Verde consolida-se na vanguarda da luta contra a corrupção seguido por Portugal. No bloco intermediário, figuram Timor-Leste, São Tomé e Príncipe, Brasil e Angola. Posições mais críticas são ocupadas pela Guiné-Bissau, Moçambique e a Guiné Equatorial. Quanto à Galiza, os dados da Espanha no seu conjunto remetem para o mesmo patamar que Portugal ou Cabo Verde.

Redação

O Índice de Percepção da Corrupção 2025, publicado pela Transparência Internacional, conclui que a luta global contra a corrupção carece de políticas rigorosas para prevenir e combater práticas ilícitas. O relatório classifica 182 países conforme a percepção de corrupção no setor público. O índice, que varia de 0 a 100 pontos, baseia-se em 13 fontes independentes para medir o nível de integridade institucional.
O parecer indica que, apenas um grupo de 15 países, concentrados na Europa Ocidental e na região Ásia-Pacífico, obtêm pontuações superiores a 75. Destes, apenas 5 estão acima de 80 pontos. A liderança permanece com a Dinamarca que, pelo oitavo ano consecutivo, alcançou 89 pontos. Na sequência, destacam-se Finlândia (88), Singapura (84), Nova Zelândia e Noruega (81). Fecham a lista de alto desempenho Suécia e Suíça (80), seguidos por Luxemburgo, Holanda, Alemanha, Islândia, Austrália, Estónia, Hong Kong, Irlanda e Canadá, todos com marcas entre 75 e 78 pontos.
O cenário global de integridade indique que 68% das nações avaliadas registam pontuações abaixo de 50 pontos. O diagnóstico é claro: a instabilidade política e o autoritarismo asfixiam o desenvolvimento institucional.
Países como República Centro-Africana e Paraguai somam 24 pontos, seguidos de perto por um bloco composto por Congo, Suazilândia, Irã e Líbano, todos com 23. Logo abaixo, com 22 pontos, figuram Chade, Honduras, Rússia e Zimbábue, enquanto Guiné-Bissau e Moçambique aparecem com 21.
A barreira dos 20 pontos é atingida por Camboja, Comores e República Democrática do Congo, grupo que antecede o Tajiquistão, com 19, e Burundi e Turcomenistão, que registam 17. O declínio prossegue com Afeganistão, Haiti e Myanmar com 16, seguidos por Guiné Equatorial, Coreia do Norte e Síria, com 15 pontos.
Nas posições mais críticas encontram-se Nicarágua e Sudão (14), Eritreia, Líbia e Iêmen (11) e a Venezuela, que sustenta apenas 10 pontos. O encerramento do ranking mundial, fica a cargo de Somália e Sudão do Sul com a marca de 9 pontos.
Os dados evidenciam que a robustez institucional e a liberdade civil são os maiores antídotos contra a corrupção. Enquanto as democracias mais desenvolvidas ostentam uma média de 71 pontos, as mais deficitárias caem para 47. Regimes repressivos e autoritários, onde a média de integridade não passa dos 32 pontos, revelam como a falta de transparência e o cerceamento de liberdades alimentam práticas ilícitas.
O relatório afirma que garantir liberdades fundamentais é sinónimo de controlar a corrupção. Países que protegem o direito de expressão e associação são mais resistentes a práticas ilícitas. O oposto também é verdadeiro: o cerceamento dessas liberdades abre portas para a impunidade.
No ranking da CPLP, Cabo Verde consolida-se na vanguarda com 62 pontos, seguido por Portugal (56). No bloco intermediário, figuram Timor-Leste (45), São Tomé e Príncipe (43), Brasil (35) e Angola (32). As posições mais críticas são ocupadas pela Guiné-Bissau, Moçambique (21) e a Guiné Equatorial (15). Quanto à Galiza, os dados da Espanha no seu conjunto (55) remetem para o mesmo patamar que Portugal ou Cabo Verde.
O relatório destaca trajetórias distintas. Angola apresenta um avanço, com alta de 17 pontos desde 2015 em função de medidas anticorrupção. Timor-Leste também é citado positivamente por sua ascensão consistente desde 2012, fruto de reformas estruturais que fortaleceram seus órgãos de supervisão. Em sentido oposto, Moçambique enfrenta uma queda de 10 pontos na última década.
Para enfrentar o atual cenário, o relatório da Transparência Internacional estabelece um conjunto de prioridades com o foco central no fortalecimento dos pilares democráticos e a blindagem do Estado contra interesses particulares. Entre as medidas de maior peso, destaca a necessidade de assegurar a independência total do Poder Judiciário e o combate rigoroso à influência indevida de grupos de interesse nas decisões políticas. A estratégia também prevê o aumento da vigilância sobre o orçamento público e o combate à macrocorrupção, visando desarticular fluxos financeiros ilícitos que alimentam redes criminosas globais.

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