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A Ordem dos Médicos Dentistas promoveu um debate sobre o tema “Saúde oral ao longo da vida: impacto na saúde sistémica e na sustentabilidade dos sistemas de saúde”. O evento, realizado em parceria com a Eurocidade Tui-Valença e colégios de medicina dentária da Galiza, focou-se nos desafios comuns.
No coração da Eurocidade Tui-Valença, o evento reuniu especialistas ibéricos para discutir a medicina dentária. O debate contou com o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, e Adriana Sanz, presidente do Colégio de Dentistas de Ponte Vedra e Ourense. A sessão foi aberta pelo professor Juan Blanco Carrión, da Universidade de Compostela, que destacou a ligação crucial entre as patologias orais e a saúde sistémica, reforçando a importância da prevenção clínica.
A mesa redonda debateu as assimetrias no acesso à saúde oral infantil, destacando a eficácia de políticas preventivas conjuntas na Eurocidade Tui-Valença. Adriana Sanz alertou que 80% das cáries na dentição decídua não são tratadas, prevalência que duplica em estratos sociais desfavorecidos. Perante este cenário, a especialista sublinhou a necessidade imperativa de mobilizar uma rede ativa, composta por profissionais de saúde, pais, professores e educadores. O objetivo central é elevar a sensibilização coletiva e garantir que a saúde oral seja priorizada desde a infância, combatendo as desigualdades que marcam o contexto ibérico atual.
Miguel Pavão fundamentou a sua intervenção no Barómetro da Saúde Oral, revelando que metade das crianças portuguesas até aos seis anos nunca consultou um médico dentista. O bastonário criticou o novo Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, publicado pelo Governo, alertando para o risco de o plano apenas entrar em vigor em 2027, o que atrasa respostas urgentes.
Blanco Carrión defendeu o investimento urgente na prevenção, face ao envelhecimento demográfico. O especialista sublinhou que a saúde oral é indissociável da saúde sistémica, sendo vital para controlar doenças crónicas e garantir longevidade.
Os presentes concluíram que os desafios da saúde oral transcendem fronteiras, exigindo esforços unidos num planeamento estratégico comum. Baseados em dados reais, os especialistas instaram os governos a definir políticas que assegurem a sustentabilidade dos sistemas de saúde ibéricos. Esta cooperação visa transformar o diagnóstico atual em ações concretas, promovendo o bem-estar sistémico das populações de Portugal e a Galiza.
A cerimónia do Dia Mundial da Saúde Oral contou com intervenções dos presidentes de Valença e Tui, José Manuel Carpinteira e Enrique Cabaleiro. Participaram ainda Júlio Garcia Comesaña, do Parlamento da Galiza, e Gustavo Tato Borges, delegado de Saúde Regional do Norte.

