Jovem mulher com t-shirt branca com texto "Kriol é sabe"

Crioulo cabo-verdiano à espera de oficialidade

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Associação da Língua Materna Cabo-Verdiana (ALMA-CV) quer ver mudanças urgentes na política linguística. Objetivo seria elevar o crioulo a língua oficial, em paridade com o português.

Redação |

No Dia Internacional da Língua Materna, o investigador Marciano Moreira instou a classe política a concretizar a oficialização plena do crioulo cabo-verdiano. Para o especialista, adiar este processo compromete a afirmação da identidade, a liberdade linguística e a dignidade de Cabo Verde.

Ao defender a paridade entre o crioulo e o português, o especialista destacou que o apoio popular à oficialização tem crescido significativamente. Esse movimento reflete uma consciência social sobre a importância de valorizar o património linguístico nacional como pilar da soberania cultural e do desenvolvimento educativo.

As palavras de Marciano Moreira ecoam um movimento coletivo. Em novembro de 2022, a criação da Associação da Língua Materna Cabo-Verdiana (ALMA-CV) consolidou essa frente cívica. O grupo busca voz ativa para impulsionar mudanças urgentes na política linguística e garantir a dignidade do crioulo.

Em fevereiro de 2020, o ex-Presidente Jorge Carlos Fonseca instou à aceleração dos mecanismos para a oficialização do crioulo. O antigo Chefe de Estado defendeu o cumprimento da Lei Magna, visando elevar a língua materna ao estatuto de idioma oficial do país.

Por sua parte, também em fevereiro do mesmo anos, o Ministro da Cultura, Abraão Vicente, manifestou a total abertura do Governo e do Movimento para a Democracia para debater a revisão constitucional. O objetivo seria elevar o crioulo a língua oficial, em paridade com o português, sinalizando uma vontade política de consenso institucional.

Em sua posse em novembro de 2021, num discurso simbólico entre o português e o crioulo, o Presidente José Maria Neves comprometeu-se a liderar a “oficialização plena” da língua materna. Com esta promessa, o atual Chefe de Estado colocou-se na vanguarda política para elevar o estatuto legal do crioulo.

Embora a Constituição de 1992 estabeleça o português como único idioma oficial, o seu Artigo 9.º funciona como um mandato de promoção linguística. O texto constitucional impõe ao Estado o dever de criar as condições necessárias para a oficialização plena do crioulo, visando a paridade absoluta com a língua portuguesa.

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