salmão a saltar na corrente

Campanhas para salvar o salmão

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Redação |

Alerta Salmão Galego reclama à Direção-Geral de Património Natural a inclusão do salmão-atlântico no Catálogo Galego de Espécies Ameaçadas na categoria de em perigo de extinção. A campanha de recolha de assinaturas é impulsionada pela Associação para a Defesa Ecológica de Galiza, a Associação para o Estudo e Melhora dos Salmonídeos – Rios com Vida, a Federação Ecologista Galega e a Sociedade Galega de História Natural.

A campanha insta as administrações a tomarem medidas urgentes para evitar a extinção da espécie através da eliminação de barreiras, como represas, barragens e centrais hidroelétricas em desuso. Exige também a melhoria da qualidade da água, a conservação e restauração da vegetação ribeirinha e dos leitos, e o controlo da pesca através de medidas de gestão muito restritivas até que a população recupere.

Somam-se a estes fatores a poluição e as descargas, o aumento da temperatura da água e a alteração das correntes oceânicas devido às mudanças climáticas, além da sobrepesca histórica e da mortalidade marinha. O cenário é agravado pela perda de conectividade entre populações, o que provoca o isolamento genético.

À luz do Decreto 88/2007 e dos critérios do Catálogo Galego de Espécies Ameaçadas, o salmão cumpre os requisitos oficiais para ser catalogado como “Em perigo de extinção” devido a um declive superior a 40% nas últimas décadas. Outro requisitos são a redução e fragmentação severa da sua área de distribuição, a um tamanho populacional muito baixo e ao consenso técnico e científico sobre o seu estado crítico.

Desde a década de 1970, as populações de salmão na Galiza sofreram um declínio superior a 80%. No rio Minho, a média anual caiu de milhares para menos de 300 exemplares. A área de distribuição reduziu-se em 75%, restando apenas 8 dos 20 rios historicamente salmonícolas; bacias como as do Eume, Tambre ou Sor perderam as suas populações.

Atualmente, regressam apenas entre 1.500 e 2.000 adultos aos rios galegos, com populações reprodutoras inferiores a 50 exemplares em alguns casos, valores abaixo do mínimo viável. Estudos como o projeto DiadES preveem um novo descenso de 30% a 50% nas próximas décadas, agravado pelo aumento da temperatura da água e alterações nas correntes marinhas.

Em termos geográficos, a presença em Portugal está limitada às bacias do Minho e Lima. Embora existam incursões ocasionais no Cávado e Douro, a sua distribuição é hoje residual.
O salmão também está classificado como “Criticamente em Perigo” no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal. Como a norte do Minho, a principal ameaça são barragens e obstáculos, a poluição, a degradação das galerias ripícolas, a extração de inertes e a captação de água.

Por se encontrarem no limite sul da distribuição da espécie, estas populações são severamente afetadas pelas alterações climáticas, pelo aquecimento global e por secas frequentes. Adicionalmente, a mortalidade causada pela pesca compromete a sobrevivência da espécie.

O projeto SalmonLink, coordenado pela Universidade de Évora e pelo MARE, promove a conservação e gestão participada. A iniciativa estabelece uma rede nacional de parcerias entre cientistas e pescadores para aprofundar o conhecimento sobre a espécie. O SalmonLink foca-se no Minho e Lima monitorizando também o Cávado e Douro.

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