Maior número de violações graves foi verificado em Israel e Palestina. Segue-se a República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e Haiti. Quanto a Moçambique, o país vem a destacar pelo aumento percentual de abusos
Redação |
Assinalado anualmente a 12 de fevereiro, o Dia Internacional contra o Uso de Crianças-Soldado lança um alerta urgente sobre uma realidade devastadora. Milhares de menores continuam a ser recrutados por grupos armados, perdendo a infância para a violência extrema.
A representante especial do secretário-geral ONU para Crianças e Conflitos Armados, Vanessa Frazier, apresentou ao Conselho de Direitos Humanos um relatório que documenta 41.370 violações graves afetando 22.495 crianças em 2024, um terço meninas. O documento também denuncia 4.676 assassinatos, 7.291 mutilações, 4.573 abduções e 7.906 negações de acesso humanitário.
Em 2024, a ONU verificou o recrutamento e uso de 7.402 crianças por forças estatais e grupos armados não estatais. A violação persiste em níveis muito altos e frequentemente se combina com o assassinato, a mutilação, a abdução e a violência sexual.
O maior número de violações graves foi verificado em áreas de Israel e territórios Palestinos, com 8.554. Segue-se a República Democrática do Congo, 4.043, Somália, 2.568, Nigéria, 2.436, e Haiti, 2.269.
A República Democrática do Congo, Nigéria e Somália lideram em recrutamento e uso, além de abduções. Moçambique registou o segundo maior aumento percentual de violações, 525%, refletindo conflitos prolongados e atores armados.
A data celebra o dia 12 de fevereiro de 2002, em que entrou em vigor o Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à Participação de Crianças em Conflitos Armados.
Este protocolo foi um avanço crucial porque estabeleceu que nenhuma pessoa com menos de 18 anos deve ser recrutada obrigatoriamente por forças armadas. O documento também instou os Estados a elevar a idade mínima para o recrutamento voluntário acima dos 15 anos e proibiu grupos armados não estatais de recrutar ou utilizar menores de 18 anos em qualquer circunstância.
A campanha associada a este dia utiliza o símbolo de uma mão vermelha (Red Hand Day). Este símbolo nasceu para dizer “Pare” e “Basta” ao recrutamento infantil


