Colóquio luso-galaico sobre a saudade reunirá investigadores em abril

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Redação |

Trinta anos após a sua primeira edição, os Colóquios Luso-Galaicos sobre a Saudade regressam em abril de 2026 para a sua décima convocatória. O evento, que se tornou um marco no diálogo intelectual a norte e a sul do Minho, decorrerá em simultâneo com o III Encontro de Filosofia e Cultura Luso-Galaica.

Sob o tema “A Saudade e outros sentimentos afins”, o encontro reunirá investigadores e especialistas para debater as múltiplas facetas deste conceito central na identidade atlântica. A iniciativa é promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, contando com uma rede de parcerias académicas de prestígio em ambos os países.

Desde o seu início, em 1996, este fórum tem sido o palco principal para o estudo da filosofia da saudade. A edição de 2026 destaca-se pela articulação institucional, envolvendo o Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade de Santiago de Compostela e o Centro Português de Vigo.

O objetivo da décima edição dos Colóquios é continuar a aprofundar os laços culturais e filosóficos que definem o espaço luso-galaico, explorando a saudade não apenas como nostalgia, mas como um conceito dinâmico e partilhado.

O encontro terá início no dia 13, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A abertura ficará a cargo de António Braz Teixeira, que abordará a “dor romena” em diálogo com a saudade luso-galaica. O primeiro dia explorará ainda as faces de Fernando Pessoa e a melancolia medieval de D. Duarte, contando inclusive com a perspetiva de Filomena Serrano sobre a saudade sob a ótica da medicina chinesa.

No dia 14, o debate desdobrará-se. Durante a manhã, a Faculdade de Letras da Universidade do Porto receberá comunicações sobre figuras centrais da cultura portuguesa, como Guerra Junqueiro e o cronista contemporâneo Miguel Esteves Cardoso. A relação luso-galega será personificada no painel de Isabel Ponce de Leão, que colocará em diálogo a “saudade” de José Luís Peixoto com a “morriña” do galego Manuel Rivas.

Ao final do dia, no Centro Português de Vigo, o foco recairá sobre a mística e as origens, com debates dedicados à essência celta da saudade, ao mito da Atlântida e à obra de Rosália de Castro.

O colóquio terminará a 15 de abril, na Faculdade de Filosofia da Universidade de Santiago de Compostela. Este último dia será marcado por uma componente também política, analisando o pensamento de vultos do nacionalismo galego como Carvalho Calero, Otero Pedraio e Vicente Risco.

O encerramento ficará novamente a cargo de António Braz Teixeira, que sintetizará a problemática do “mal” na filosofia luso-galaica contemporânea, fechando um ciclo de debates.