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As intensas e persistentes chuvas que têm fustigado a Galiza nas últimas semanas provocaram, na noite do passado sábado, o desabamento de uma parte do pano interior da Muralha de Lugo. O incidente ocorreu na Rua do Moucho, uma zona situada nas proximidades da Catedral, entre as portas de Santiago e do Carmo.
Apesar do alarme que um desabamento num monumento desta importância pode causar, o arqueólogo municipal, Enrique González, clarificou que a parte afetada não pertence à fábrica romana original. Trata-se de um troço que sofreu intervenções de restauro durante o século XIX. Segundo o especialista, este tipo de incidentes é mais habitual precisamente nestas áreas reformadas, onde a infiltração de água pode desestabilizar o enchimento interno de pedra e entulho. Ao contrário, a estrutura romana original, é muito mais resistente a tais episódios pela sua conceção e robustez.
Este é o desabamento mais significativo no monumento nos últimos 24 anos. O último de características semelhantes ocorrera no ano 2000, nas imediações do antigo hospital de Santa Maria.
O Governo Municipal já estabeleceu contacto com o Governo galego — a administração que detém as competências sobre o património — para coordenar os trabalhos de recuperação.
Considerada a fortificação romana mais bem preservada da Península Ibérica, a muralha da antiga Lucus Augusti mantém-se como um testemunho vivo da engenharia imperial. Com mais de dezassete séculos de história, o monumento tem preservado a sua essência original, apesar das intervenções ao longo do tempo. O complexo defensivo estende-se por mais de 2.100 metros, abraçando uma área de mais de 34 hectares com muros que chegam aos sete metros de largura em pontos estratégicos. Tamanha relevância valeu-lhe o título de Património da Humanidade pela UNESCO no ano 2000, além de um simbólico irmandamento com a Grande Muralha da China de Qinhuangdao desde 2007.

