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Sob chuva persistente, A associação Direito a Morrer Dignamente (DMD) concentrou-se na Praça do Obradoiro no dia 12 de janeiro, para exigir melhorias estruturais no acesso à morte assistida. As reivindicações centrais do grupo incluem a criação de um Observatório de Morte Digna e a redução dos tempos de espera para a concretização da eutanásia, que atualmente excedem os limites legais.
A data escolhida, o dia 12 de janeiro, marca o aniversário da morte de Ramón Sampedro, em 1998, o marinheiro galego que se tornou símbolo mundial da luta pela eutanásia. A DMD solicitou formalmente que este dia seja institucionalizado como o “Dia da morte digna na Galiza”. Embora uma tentativa anterior em 2023 tenha sido rejeitada pelo Parlamento galego, a presidente da associação, Isabel Blanco, insistiu na necessidade de uma declaração institucional para quebrar o tabu sobre o fim da vida.
A crítica mais contundente da organização foca-se na burocracia. Segundo Blanco, a lei estabelece um prazo máximo de 35 a 40 dias para a tramitação da eutanásia, mas a realidade na Galiza é bem distinta. Em média, os processos demoram 59 dias, havendo casos que ultrapassam os 100 dias de espera.
As mortes por eutanásia representaram 0,02% do total de óbitos na Galiza em 2024. Porém, outros números revelam um cenário preocupante: das 34 solicitações feitas, apenas 16 foram concretizadas e 9 pessoas revogaram a sua decisão. O dado mais alarmante indica que 9 pessoas morreram enquanto aguardavam a autorização, o que a DMD classifica como “maltrato institucional”. “É possível evitar que as pessoas morram durante a tramitação”, afirmou Blanco, acompanhada no ato pela presidente da Câmara de Santiago de Compostela, a nacionalista Goretti Sanmartín.
Além da eutanásia, a associação alertou para a falta de informação sobre o Testamento Vital. Na Galiza, apenas o formalizaram sete em cada 1.000 pessoas, sendo que, no final de 2024, existiam pouco mais de 20.000 documentos registados.
A criação do Observatório proposto visa monitorizar “como estamos a morrer”. A DMD defende que só através da análise de dados será possível melhorar os cuidados paliativos e garantir que a liberdade individual prevaleça.


