Com uma extensão aproximada de 240 quilómetros, o caminho que une Braga e Compostela destaca-se pela sua riqueza paisagística e arqueológica
Redação |
A criação de uma nova categoria de “rotas culturais de interesse regional” pelo Governo da Galiza confere proteção jurídica e apoio institucional a um dos percursos jacobeus que mais cresce em popularidade. Só em 2025, o traçado que liga Braga a Santiago de Compostela registou a atribuição de 757 “Compostelas“.
O Caminho da Geira e dos Arrieiros alcançou um marco histórico no final de 2025. O governo galego anunciou a criação de um novo enquadramento legal para distinguir percursos que, embora não integrem a rede oficial de caminhos históricos, possuem uma relevância patrimonial e histórica inquestionável. O Caminho da Geira e dos Arrieiros lidera a lista restrita de itinerários que passam a gozar deste reconhecimento oficial.
Com uma extensão aproximada de 240 quilómetros, o caminho que une Braga e Compostela destaca-se pela sua riqueza paisagística e arqueológica. Um dos maiores ativos da rota é a Via Nova, considerada a mais bem preservada do Império Romano. Além disso, os peregrinos percorrem a Reserva da Biosfera Gerês-Xurés, o que confere a esta rota uma vertente ecológica e de contacto com a natureza selvagem quase única no contexto jacobeu. O traçado atravessa os municípios de Braga. Amares, Terras de Bouro, Melgaço, Lóvios, Entrimo, Padrenda, Ponte Deva, Cortegada, Arnóia, Ribadávia, Beade, Leiro, Boborás, Beariz, Forcarei, Estrada, Teo e Compostela.
O reconhecimento pelo governo galego vem consolidar um processo que começou em 2017 e que já tinha obtido o aval da Igreja católica em 2019. Os números confirmam a tendência de crescimento: 757 Compostelas atribuídas apenas em 2025 e mais de 7.600 peregrinos percorreram a rota desde a sua abertura oficial há oito anos. Mas não só, a rota representa o itinerário mais procurado dentro do novo grupo de rotas culturais, que inclui também, entre outras o Caminho de São Rosendo.
A formalização desta nova categoria será selada através de um decreto que estabelece medidas específicas de proteção e promoção. Na prática, isto significa que o Caminho da Geira e dos Arrieiros passará a constar no planeamento de programas culturais oficiais e terá acesso a subsídios públicos para manutenção e sinalização.


