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A gestão das populações de javalis na Europa ganhou precisão científica graças ao relatório publicado pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA). O “ENETWILD: Recolha de Dados sobre a Abundância e Densidade de Javalis”, estabelece as bases para uma monitorização harmonizada que possa contribuir a transformar a forma como se gere esta espécie.
Um dos pontos abordados pelo ENETWILD é a necessidade de colaboração internacional. Os javalis não reconhecem fronteiras; uma população que cresce no Norte de Portugal terá, inevitavelmente, impacto na Galiza, por isso, o projeto insta os Estados-membros a adotarem protocolos de amostragem comuns. Somente através de uma rede de cooperação europeia, que una agricultores, ecologistas, cinetistas caçadores e políticos, será possível equilibrar a presença deste animal emblemático com a proteção da economia rural e da saúde pública.
O crescimento descontrolado da população de javalis tornou-se um desafio crítico na Europa, com estimativas a apontar para cerca de 20 milhões de exemplares no continente. A faixa atlântica acompanha esta tendência, registando uma população que se aproxima dos´600 mil animais, 400 mil em território português e 200.000 em território galego.
A Galiza afirma-se como o território mais fustigado pela sobrepopulação. A densidade, que oscila entre os 6,9 e os 12 javalis por km2, é consequência de um habitat ideal para a espécie: o abandono do meio rural, aliado a uma paisagem fragmentada em “mosaico” e a abundância de alimento.
A sul do Minho, a realidade apresenta-se de forma distinta entre as regiões Norte e Sul. No Norte de Portugal, a continuidade florestal com a Galiza e as zonas de montanha, como o Parque Nacional da Peneda-Gerês, sustentam uma densidade de 4 a 8 javalis por km2. Já no Sul, embora as densidades sejam mais baixas (2 a 5 javalis por km2), o cenário é de expansão. O ecossistema do montado continua a ser o seu habitat natural, mas a espécie tem conquistado novas áreas de regadio, nomeadamente na zona de influência do Alqueva.
Este cenário coloca uma pressão sobre o setor agrícola e a segurança pública. A elevada densidade da espécie é responsável por prejuízos milionários em culturas, além do aumento de acidentes rodoviários. Mas não só, a preocupação das autoridades também reside no risco sanitário, como consequência da eventual propagação de algumas doenças potenciada pela mobilidade destes animais.
Especialistas defendem que as estratégias de caça são insuficientes, sendo necessária uma gestão integrada e que transcenda os limites fronteiriços, baseada em dados científicos e planos de controlo populacional rigorosos, para mitigar os impactos económicos e ambientais.


