foto da sombra dum avião por cima duma floresta

Fotografias angolanas de Cloete Breytenbach na Gulbenkian

   Tempo de leitura: 2 minutos

Redação |

Imagens tinham sido exibidas antes uma única vez no Porto. O jornalista sul-africano fotografou as lutas de libertação em países africanos como Angola, Moçambique, África do Sul, Congo e Zimbábue.

O espólio da Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian foi recentemente enriquecido com uma doação de fotografias de Cloete Breytenbach. O conjunto inclui 29 provas em papel e 60 reproduções digitais que documentam os conflitos armados em Angola durante as duas décadas compreendidas entre 1967 e 1987.

O fotojornalista sul-africano Cloete Breytenbach (1933-2019), depois de se estrear no jornal Die Burger, na Cidade do Cabo em 1951, as suas imagens seriam publicadas em publicações europeias como o inglês Daily Express ou a revista Paris Match, sendo também exibidas nos EUA, Europa e Japão. O seu portefólio é um testemunho histórico de momentos decisivos do século XX, incluindo a luta contra o apartheid e as guerras de libertação e civis em países africanos como Angola, Moçambique, África do Sul, Congo e Zimbábue e as guerras do Yom Kippur e do Vietname.

O expólio de Breytenbach inclui fotografias de Albert Luthuli — líder anti-apartheid e Prémio Nobel da Paz — que pertencem hoje ao acervo do Museu Guggenheim, em Nova Iorque. O fotojornalista assinou obras fundamentais como Cape Town – The Fairest Cape, The Terror Fighters – Portuguese War in Angola ou Savimbi’s Angola e The Spirit of District Six, de que ele próprio foi autor.

A coleção doada à Fundação Gulbenkian revela um olhar profundamente íntimo sobre os soldados portugueses e angolanos durante a Guerra de Libertação e a Guerra Civil. Ao afastar-se da violência explícita, Breytenbach centrou a sua objetiva nos tempos mortos: o ato de lavar a roupa, a leitura de cartas ou momentos de convívio. Como o próprio autor sublinhava, “a vida dos soldados ia para além de matar pessoas“, uma afirmação que se reflete numa abordagem fotográfica documental, onde o militar humano se sobrepõe ao militar cruel do campo de batalha.

Antes desta doação, as imagens tinham sido exibidas uma única vez, numa mostra curada por Annette Badenhorst intitulada A Guerra em Angola 1967-1987, teve lugar na Galeria de Fotografia MIRA, no Porto, em 2018. Foi a própria curadora quem impulsionou a entrega do conjunto à Gulbenkian, num gesto endossado por León Breytenbach, herdeiro do espólio de Cloete Breytenbach.

Share