Ordem dos Médicos manifestou a sua crescente preocupação com a forma como o país está a responder ao acompanhamento das grávidas
Redação |
O Serviço Nacional de Saúde prepara-se para iniciar um projeto-piloto que permitirá a Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia acompanharem a vigilância da gravidez de baixo risco, especialmente em mulheres sem médico de família atribuído.
A medida, defendida pela Ordem dos Enfermeiros, visa colmatar as falhas na cobertura dos Cuidados de Saúde Primários e reduzir o número de gestações não vigiadas.
O projeto, que se prevê arrancar no primeiro trimestre do próximo ano na Península de Setúbal prevê o acompanhamento de cerca de 75 grávidas por cada enfermeiro especialista, com o objetivo de garantir um seguimento clínico regular, monitorizar a evolução e encaminhar a utente para o médico sempre que surjam sinais de risco.
A Ministra da Saúde, Ana Paula Martins, já manifestou abertura para a proposta da Ordem dos Enfermeiros, reconhecendo a importância destes profissionais na saúde materna.
No entanto, a Ordem dos Médicos manifestou a sua crescente preocupação com a forma como o país está a responder ao acompanhamento das grávidas. Em comunicado, sublinhou que o acompanhamento médico das grávidas é indispensável e criticou a tutela por avançar com um projeto que considera não estruturado, ignorando a proposta da Ordem para um reforço estrutural de recursos médicos nos Cuidados de Saúde Primários.
Para os médicos, a solução para a falta de vigilância passa por colocar o médico de família no centro das equipas multidisciplinares e evitar a “usurpação dos atos próprios da sua classe, que são essenciais para a segurança da mãe e do bebé.
Embora a Ordem dos Médicos aceite o acompanhamento por Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia como uma solução transitória para grávidas sem médico, defendem a necessidade de protocolos clínicos rigorosos e uma comissão técnica de acompanhamento prévia para garantir a segurança assistencial.
Com o pano de fundo da precarização da sanidade pública, o debate reflete a tensão entre coletivos profissionais da saúde, nesta caso, perante a necessidade urgente de dar resposta à população sem médico de família e o receio de desvirtuar o modelo de equipa de saúde.


