Alertou que a prioridade concedida pela Comissão Europeia à linha do AVE Lisboa-Madrid não deve atrasar o desenvolvimento desta infraestrutura crucial para o noroeste ibérico.
Redação |
O Governo da Galiza informou em comunicado oficial que elevou a sua voz no Fórum do Corredor Atlântico em Bruxelas para exigir o apoio da União Europeia à ligação de alta velocidade entre Vigo e Porto. A intervenção foi realizada pelo Conselheiro da Presidência, Justiça e Desportos, Diego Calvo, que defendeu que a ligação Vigo-Porto como essencial para unir a fachada Atlântica e uma das Euro Regiões mais ativas (Galiza-Norte de Portugal) com um comboio de alta velocidade competitivo e eficiente.
A principal preocupação do Governo Galego reside no risco de os seis milhões de habitantes da Euro Região ficarem excluídos do ansiado objetivo de acessibilidade e conectividade para toda a União se este projeto estratégico for relegado.
O conselheiro aproveitou o encontro para apresentar a situação do Corredor Atlântico na Galiza ao novo coordenador europeu, François Bausch, a quem convidou a visitar a região para avaliar a importância da conexão no terreno.
Calvo instou também o Governo de Espanha a cumprir os prazos e investimentos já comprometidos, lamentando a ausência de um Plano Diretor atualizado, realista e detalhado em termos de prazos e financiamento. Além da urgência na conexão entre a Galiza Portugal, a intervenção de Calvo destacou as barreiras estruturais que impedem de desenvolver o potencial galego em condições de igualdade.
Foi mencionado que mais de 80% da rede ferroviária galega ainda utiliza a bitola ibérica, enquanto menos de 6% possui a bitola internacional exigida pela União Europeia para garantir a interoperabilidade. Adicionalmente, 75% da rede é de via única e mais de metade não está eletrificada, limitando a competitividade e dificultando a entrada de outros operadores.
O representante da administração galega também reivindicou a importância estratégica dos portos galegos exigindo o reconhecimento de Ferrol e Vigo e a sua devida incorporação no Corredor Atlântico, com ligações ferroviárias adequadas para a distribuição de mercadorias.
Diego Calvo concluiu a sua participação apelando ao apoio do executivo comunitário, defendendo que investir na conectividade da fachada Atlântica é essencial e que permitir o travão ao desenvolvimento seria enfraquecer os laços estratégicos, económicos e sociais que unem a Euro Região à Europa.

