estudantes medicina com robe branco de pé arredor duma mesa de estudo numa sala com órgãos medicinais

Formação médica poderá vir a mudar em 2026

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Redação |

A expansão da formação médica está a ganhar um novo impulso para a implementação de estudos de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e os desenvolvimentos para uma potencial Faculdade na Universidade de Vigo e na Universidade da Corunha.

A UTAD submeteu pela terceira vez à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior a proposta de criação do seu Mestrado Integrado em Medicina. Após duas rejeições anteriores, a academia transmontana reforçou a sua candidatura, que prevê formar 40 novos médicos por ano. O projeto tem como principal objetivo a fixação de profissionais de saúde na região, conhecida pela escassez de médicos e pelo envelhecimento populacional.

A proposta da UTAD assenta numa parceria com a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro que garante que os futuros estudantes terão contacto com as unidades hospitalares de Vila Real, Chaves e Lamego e centros de saúde da região, promovendo um ensino tutorial com grupos reduzidos.

A vice-reitora para a Educação e Qualidade, Carla Amaral, sublinhou que o objetivo é “especializar a oferta, encurtar distâncias e melhorar a prestação de cuidados de saúde na região“, manifestando a convicção de que estudar no interior incentivará os médicos a fixarem-se neste território.

O Governo português também já expressou publicamente o seu apoio político à descentralização dos cursos de Medicina, nomeadamente na UTAD e em Évora.

Do lado galego, a situação é marcada pela vontade de descentralizar a formação médica, atualmente centrada na Universidade de Santiago de Compostela. Embora a USC continue a ser o único centro de docência teórica, um acordo com o Serviço Galego de Saúde prevê que, a partir do próximo ano letivo, a docência clínica (estágios) seja ampliada para os hospitais universitários de Vigo e a Corunha para os alunos dos últimos anos. No entanto, o desejo de ter uma Faculdade de Medicina completa em Vigo e na Corunha levou a um debate dentro do Sistema Universitário Galego.

A Universidade de Vigo, apoiada por figuras políticas locais, já manifestou a intenção de ter o seu próprio curso, embora a Universidade da Corunha tenha sido a primeira a avançar com os trâmites. A UVigo defende o seu potencial de investigação e a capacidade do seu complexo hospitalar como argumentos para acolher uma nova faculdade, procurando que a Galiza disponha de um modelo descentralizado. A necessidade de otimizar a formação de mais de 400 alunos anuais da USC e a carência de perfis médicos reforçam a pressão para a descentralização ou criação de novos títulos.

A concretização destes projetos pode ser vista como uma medida estratégica para o reforço da capacidade formativa em Medicina na Euro-Região.