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Um marco mundial na medicina regenerativa foi alcançado com a realização do primeiro transplante em um porco de rins porcinos modificados com organoides renais humanos.
O procedimento inovador combina bioengenharia e terapia celular e abre promissoras vias para o futuro dos transplantes de órgãos. Os resultados detalhados desta pesquisa foram publicados recentemente na prestigiada revista científica Nature Biomedical Engineering.
O estudo, que representa o resultado de mais de uma década de investigação em diversas frentes, foi liderado por uma equipa internacional de cientistas galegos do Instituto de Investigação Biomédica da Corunha, em colaboração com o Instituto de Bioengenharia da Catalunha e outras instituições. O novo marco alcançado consistiu em, pela primeira vez, combinar com sucesso organoides renais humanos com rins de porco, e, em seguida, transplantá-los no animal de forma viável, sem danos ou toxicidade registados.
Os organoides renais são estruturas tridimensionais em miniatura, cultivadas em laboratório a partir de células-tronco, geralmente de origem humana. Eles são tratados com nutrientes e sinais químicos que os estimulam a se diferenciar e a se auto-organizar em estruturas semelhantes ao tecido renal, e são usados para estudar doenças, testar novas terapias e entender o desenvolvimento renal.
A modificação dos rins do porco foi realizada fora do corpo do animal, utilizando máquinas de perfusão normotérmica, uma técnica médica para manter um órgão aquecido à temperatura corporal e oxigenado, enquanto está fora do corpo. Isso permite reparar o órgão, avaliar a sua viabilidade para transplante e conservá-lo de forma segura.
A eleição do porco para o xenotransplantes (transplantes entre espécies) é devido a que, os órgãos suínos, como rins e coração, possuem um tamanho e anatomia muito semelhantes aos dos humanos adultos e a sua fisiologia é relativamente compatível.
Outro fator importante é que os porcos atingem o tamanho de doação em poucos meses e são fáceis de criar em ambientes controlados e livres de patógenos e, por fim, a facilidade de manipulação genética, permite a modificação de genes que causam a rejeição hiperaguda, tornando os órgãos mais compatíveis com o sistema imunológico humano.
A possibilidade de pré-condicionar um órgão a ser transplantado, através da integração de células e tecidos humanos funcionais, sugere que será possível aumentar significativamente o número de órgãos viáveis para transplante. O potencial desta técnica é imenso, não apenas para o tratamento da insuficiência renal, mas também como uma plataforma para o estudo do desenvolvimento do rim e para a triagem de novos fármacos.
A contribuição do Instituto de Investigação Biomédica da Corunha neste projeto reafirma a posição de destaque da investigação biomédica galega, na vanguarda das tecnologias de ponta nos transplantes de órgãos.

