Cinco televisões públicas europeias não participarão no Eurovisão

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Redação |

O Festival Eurovisão da Canção, programado para maio de 2026 na Áustria e organizado pela União Europeia de Radiodifusão (EBU) e pela emissora anfitriã Österreichischer Rundfunk (ORF), está a ser alvo de pressões para não permitir a participação de Israel pelo genocídio sobre o povo da Palestina.

As estações de televisão públicas de cinco países europeus – RTVSLO (Eslovénia), RTVE (Espanha), RTÉ (Irlanda), RÚT (Islândia) e Avrotros (Países Baixos) – confirmaram já a sua não participação no próximo Festival Eurovisão da Canção, caso Israel participe. Por enquanto, a RTP ainda não se pronunciou qual a sua posição face a eventual participação de Israel.

A decisão destas cinco televisões públicas em retirar-se do evento exerce uma pressão sobre a EBU, quem já confirmou que está em consulta com os seus membros e que a decisão final sobre a não participação de Israel será tomada numa assembleia geral em dezembro. A EBU, que defende a natureza apolítica do concurso, viu-se obrigada a abordar a questão de forma mais direta, especialmente após a exclusão da Rússia em 2022.

Israel tem sido um participante regular desde 1973 e já venceu quatro vezes. A sua presença tem sido denunciada como uma campanha de lavagem de imagem perante milhões de telespectadores globais. A escolha das músicas e das apresentações muitas vezes inclui temas de paz, amor e união, como foi o caso da canção “Toy” de Netta, vencedora em 2018, que foi vista como uma celebração do empoderamento feminino.

Esta vitória de Israel e a subsequente realização do evento em Tel Aviv em 2019 foram alvo de grandes protestos. O movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) pediu um boicote total ao evento, e vários artistas, incluindo Madonna, foram pressionados a não atuar. A realização do evento foi vista como uma forma de “artwashing” e “pinkwashing” ou uso da cultura, das artes ou dos direitos LGBTQIAP+ para desviar a atenção do genocídio exercido sobre o povo palestiniano.

Uma das principais empresas financiadoras do Festival da Eurovisão é a Moroccanoil, uma firma israelita de produtos capilares que tem sido patrocinadora oficial do evento há vários anos e que faz parte de um esforço deliberado para apresentar Israel positivamente, desviando o foco do genocídio.