exemplar de Til na Madeira

Quercus alerta para a morte lenta do Fanal

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Redação |

Ambientalista alertam para a morte lenta do Fanal e exige controlo da visitação e fim do pastoreio

O núcleo regional da Quercus da Madeira manifestou em comunicado no dia 9 de setembro, a sua preocupação com a situação em que se encontra a Zona de Repouso e Silêncio do Fanal (Porto Moniz – Madeira) e denunciou uma morte lenta deste património natural. 

A associação, que trabalha pela conservação da natureza e dos recursos naturais e na defesa do ambiente, e que em outubro fará 40 anos, denunciou na semana passada que “Tis centenários insistem em sobreviver, mas os seus rebentos são logo devorados pelo gado que pasta livremente”. O problema torna-se maior ainda “com a visitação excessiva e com o parqueamento automóvel que excede a capacidade dos dois parques de estacionamento existentes e, ao longo das bermas da estrada, aglomeram-se veículos de aluguer e todo-o-terreno repletos de turistas” que estão a causar danos dificilmente reversíveis.

O Til (Ocotea foetens) é uma árvore da família das lauráceas e endémica da Laurissilva – um tipo de floresta húmida própria dos arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde (Macaronésia) – classificada de Património Mundial Natural pela UNESCO, desde Dezembro de 1999 e que integra a Rede Europeia de Sítios de importância Comunitária – Rede Natura 2000.

A excessiva e não regulamentada turistificação provoca que a reserva natural seja percorrida por um número excessivo de pessoas sem que haja trilhos definidos e que o empoleiramento dos turistas nas árvores para se fotografar é uma demonstração da escassa consciência dos danos que se estão a provocar. O comunicado da Quercus alerta também das consequências do pisoteio em algumas áreas, a saber, “já não se observam herbáceas e o solo nu, compactado e impermeabilizado, não permite a infiltração da água” e que as raízes das árvores se encontram expostas e vulneráveis..

Este tipo de danos, causados por turistas imprudentes e desrespeitosos, não se observa apenas em reservas naturais, mas também ocorre frequentemente em sítios arqueológicos e são repetidamente denunciados por associações de proteção do património cultural, sem que haja uma resposta adequada por parte das instituições.

A Quercus propõe-se colaborar com o Instituto de Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) e a Secretaria Regional do Turismo, Cultura e Ambiente, de modo a definir a capacidade para a visitação, a criação de percursos pedonais, o reforço da vigilância e a sensibilização dos visitantes, a avaliação de alternativas de estacionamento e medidas para limitar o pastoreio em áreas sensíveis.

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