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O presidente da Confederação Episcopal Portuguesa e bispo da diocese Leiria Fátima, José Ornelas, afirmou que aqueles que se opõem aos imigrantes e promovem a xenofobia não podem ser considerados verdadeiros católicos.
As declarações de Ornelas, feitas numa conferência após o XVI Encontro de Bispos dos Países Lusófonos em Lisboa sob o lema “Viver a paz na hospitalidade”, reforçaram a postura da Igreja Católica de defesa e acolhimento dos mais vulneráveis, em linha com os pronunciamentos do Papa Francisco.
A declaração surge em um contexto de crescente debate sobre imigração com o aumento de discursos populistas e anti-imigração. O líder da CEP criticou duramente o uso da religião para justificar posturas de ódio e exclusão, sublinhando que a caridade e a solidariedade são pilares da identidade católica e do compromisso da igreja com a justiça social e a fraternidade universal.

Na mesma sessão, o Presidente da Conferência Episcopal de Angola e S. Tomé, José Manuel Imbamba afirmou que «as Igrejas de expressão portuguesa pretendem ser pontes que unem e mostrar ao mundo que é possível o convívio de culturas, é possível trabalharmos todos por um mundo mais humano e fraterno e multirracial”.
Na mesma linha, no passado dia 25 de julho, Dia Nacional da Galiza, o Arcebispo de Compostela, Francisco Prieto, manifestou-se com uma mensagem contundente em defesa dos direitos dos migrantes. «A violência racista e a criminalização coletiva não têm lugar numa sociedade que se queira considerar justa», afirmou Prieto do altar-mor da catedral de Compostela, perante autoridades civis e religiosas, entre as quais o Presidente do governo galego, Alfonso Rueda, e o líder do Partido Popular da Espanha, Alberto Núñez Feijóo.

«Não se podem usar pessoas vulneráveis como instrumentos de confronto quando elas já carregam o peso do desenraizamento e dos abusos das máfias», afirmou num discurso que apelou tanto à responsabilidade política como à sensibilidade humana. Igualmente insistiu na necessidade de abordar a migração a partir de uma «perspetiva legal e fraterna», sublinhando que o acolhimento e a integração são moralmente indispensáveis e que «o cristão não pode viver hoje de costas para aqueles que sofrem expulsão, solidão ou falta de oportunidades».

