Fonte : turismo.gal |
A Costa da Morte, batizada pelas histórias de naufrágios e pela força do Oceano Atlântico, é um território de uma beleza agreste e inesquecível. Este percurso, que pode ser feito de carro em 2 a 4 dias, leva-nos por faróis icónicos, santuários pagãos, praias monumentais e vilas piscatórias cheias de encanto. Aqui fica um resumo e uma proposta de itinerário dia a dia para descobrir os seus segredos.
Dia 1: O Norte Selvagem – De Malpica a Laje
Este primeiro dia é uma imersão na essência mais agreste da Costa da Morte, marcada por falésias vertiginosas, a cultura dos percebes e as primeiras lendas.
Ponto de Partida: Malpica de Bergantinhos
O que ver: Um porto piscatório autêntico e vibrante. Observe a paisagem e aviste as Ilhas Sisargas, um refúgio de aves marinhas e o primeiro grande marco visual da rota.
Próxima Paragem: Corme e o Farol Roncudo
O que ver: A estrada até ao Farol Roncudo é um espetáculo. O nome “Roncudo” vem do som rouco do mar a bater nas rochas. Esta é a pátria dos melhores percebes do mundo. Perto da vila, procure a Pedra da Serpe, uma rocha com uma figura de serpente alada, ligada a lendas milenares.
A Festa do Percebe do Roncudo terá lugar no dia 19 de Julho. Oportunidade única para experimentar e conhecer esta iguaria da Costa da Morte.
Ponto de Chegada: Laje
O que ver: Uma vila encantadora com uma bela e extensa praia urbana de areia branca e fina, ideal para terminar o dia, passear pela marginal e desfrutar de um jantar com vista para o mar.
Dia 2: O Coração da Costa – De Laje a Mugia
O segundo dia leva-nos ao epicentro da Costa da Morte, onde a luz dos faróis e a espiritualidade das pedras sagradas se encontram.
Ponto de Partida: Laje
Próxima Paragem: Camarinhas e o Cabo Vilão
O que ver: Antes de chegar ao cabo, explore a vila de Camarinhas, famosa pela sua delicada “Renda de Camarinhas”. Depois, siga para o Faro de Cabo Vilão, o primeiro farol elétrico de Espanha. Situado num enclave rochoso impressionante, o seu edifício e museu são de visita obrigatória.
Num local isolado e de uma beleza solene, este cemitério homenageia as 172 vítimas do naufrágio do navio-escola britânico HMS Serpent em 1890. É um lugar de silêncio e memória que personifica o nome “Costa da Morte”.
Como Chegar ao Cemitério dos Ingleses a partir de Camariñas
Sim, é perfeitamente possível chegar ao Cemitério dos Ingleses tanto de carro como a pé. A escolha depende do tempo que tem disponível e do tipo de experiência que procura. Para Chegar ao Cemitério dos Ingleses tem duas opções: a pé ou de carro.
1. A Pé: O Percurso do “Camino dos Faróis” (A Opção Recomendada para uma Experiência Completa)
Esta é, sem dúvida, a forma mais bonita e imersiva de chegar ao cemitério. O trajeto faz parte de uma das etapas mais famosas da espetacular rota de trekking “O Caminho dos Faróis” um percurso de 200 km que percorre toda a Costa da Morte.
Descrição do Percurso:
- Ponto de Partida: O percurso começa na vila de Camarinhas, idealmente junto ao porto.
- O Caminho: A rota segue a linha da costa em direção a norte, passando primeiro pelo imponente Farol de Cabo Vilão. Após o farol, o caminho continua por trilhos de terra batida que serpenteiam ao longo das falésias.
- A Paisagem: Este troço é conhecido como o “Tramo da Morte”, não só pela sua beleza selvagem, mas também por ser a zona onde ocorreram inúmeros naufrágios, incluindo o do HMS Serpent. Passará por pequenas praias desertas (calas) e terá vistas deslumbrantes sobre o oceano.
- Sinalização: O percurso está bem sinalizado com as marcas verdes do “Caminho dos Faróis” (setas e pegadas verdes). É muito intuitivo, basta seguir a costa.
Informação Prática:
- Distância: Cerca de 10-12 km (só ida).
- Duração: Aproximadamente 3 a 4 horas (só ida), dependendo do ritmo e das paragens para fotografias.
- Dificuldade: Média. Não é tecnicamente difícil, mas o percurso é longo e tem algumas subidas e descidas.
- Recomendações: Use calçado de caminhada apropriado. Leve água e comida, pois não há cafés ou lojas pelo caminho. Verifique a meteorologia antes de partir.
- Logística: Lembre-se que é um percurso linear. Terá de planear o regresso: ou faz o caminho de volta a pé, ou pode tentar coordenar com um táxi de Camarinhas para o ir buscar à zona de estacionamento do cemitério (requer marcação prévia).
2. De Carro: O Acesso Rápido e Prático
Para quem tem menos tempo ou prefere não fazer a caminhada, o acesso de carro é direto e simples, embora exija alguma atenção.
Instruções:
- Sair de Camarinhas: A partir do centro de Camarinhas, siga as indicações para o Cabo Vilão.
- Passar o Farol: A estrada asfaltada leva-o diretamente ao farol. Passe o farol e continue em frente.
- A Pista de Terra Batida: Pouco depois do farol, a estrada asfaltada termina e transforma-se numa pista de terra batida bem compactada. Esta pista é perfeitamente transitável para um carro de turismo normal, desde que se conduza com cuidado e a baixa velocidade.
- Seguir as Indicações: Continue por esta pista de terra durante aproximadamente 5 km. O caminho está bem sinalizado com placas que indicam “Cemitério dos Ingleses”. Não tem como se enganar.
- Estacionamento: Chegará a uma pequena área aberta onde pode estacionar o carro, a poucos metros a pé do cemitério.
Informação Prática:
- Duração da Viagem: Cerca de 20 a 25 minutos desde Camarinhas.
- Estado da Estrada: A maior parte do percurso após o farol não é asfaltada. Conduza devagar para evitar danos no veículo e para apreciar a paisagem.
Ponto de Chegada: Mugia
O que ver: Um dos lugares mais mágicos da Galiza. Visite o Santuario da Virgem da Barca, construído sobre as rochas onde, segundo a lenda, a Virgem Maria apareceu ao Apóstolo Santiago. Não perca as pedras sagradas ao seu redor: a Pedra de Abalar e a Pedra dos Quadris com propriedades curativas.
Dia 3: O Fim do Mundo e a Grandeza Monumental – De Mugia a Muros
O último dia é a grande apoteose da viagem, combinando o simbólico “fim do mundo” com as mais impressionantes obras da natureza e do homem.
Ponto de Partida: Mugia
Primeira Paragem: Fisterra
O que ver: O destino final para muitos peregrinos. Suba até ao Farol de Fisterra, considerado pelos romanos o finis terrae. A sensação de estar no “fim do mundo” e assistir ao pôr do sol aqui é uma experiência única e inesquecível.
Segunda Paragem: Ézaro, a Cascata e o Olimpo Celta
O que ver: Um local com três atrações imperdíveis.
- Cascata do Jalhas: Um fenómeno natural único na Europa Continental. É o único rio de grande caudal que desagua no mar através de uma cascata. A sua visão é espetacular.
- Praia de Ézaro: Um belo areal de areia fina, situado na foz do rio, mesmo ao lado da cascata.
- Monte Pindo: Conhecido como o “Olimpo Celta da Galiza”, este maciço de granito é um lugar sagrado, repleto de lendas e formações rochosas que a erosão moldou em figuras zoomórficas e antropomórficas. Para os amantes de caminhadas, subir ao seu cume (A Moa) oferece vistas panorâmicas avassaladoras sobre toda a costa.
Terceira Paragem: Carnota
O que ver: Prepare-se para dois monumentos. Primeiro, o Hórreo de Carnota, um dos maiores e mais impressionantes espigueiros da Galiza, com quase 35 metros de comprimento. Depois, a Praia de Carnota, um areal gigantesco com mais de 7 km de extensão, dunas e uma lagoa interior. A sua escala é esmagadora.
Ponto Final: Muros
O que ver: A rota termina na vila de Muros, a porta de entrada para a Ria de Muros e Noia. Perca-se no seu centro histórico, com as suas ruelas de pedra e as casas com arcadas viradas para o porto. É o local perfeito para saborear o marisco da ria e refletir sobre a viagem.
O que Comer na Costa da Morte
A gastronomia aqui é um reflexo direto do mar. Não pode partir sem provar os tesouros que os pescadores trazem diariamente para a lota.
- Percebes: O rei indiscutível da Costa da Morte. Os do Cabo Roncudo são considerados os mais saborosos do mundo, apanhados heroicamente nas rochas batidas pelo mar.
- Marisco Variado: Prove as navalhas (lingueirão), as amêijoas, os berbigões e as santolas ou sapateiras (bóis).
- Peixe Fresco: Peça um robalo ou uma dourada à grelha. No verão, as sardinhas assadas são uma religião.
- Empanada Galega: Com recheio de atum, bacalhau com passas, zamburinhas ou berbigão. Perfeita para qualquer altura do dia.
- Polvo á Feira: O prato mais emblemático da Galiza, servido macio, cortado às rodelas com sal grosso, pimentão e um fio de azeite.


